....sem essa, são só idéias jogadas que formam uma linha de raciocínio.
Terça-feira, Julho 31, 2007
Michelangelo Antonioni, 94, morreu na noite desta segunda-feira
O diretor de cinema italiano Michelangelo Antonioni, 94, morreu na noite desta segunda-feira, em Roma. De acordo com a agência italiana Ansa, Antonioni morreu às 20h (15h de Brasília), em sua casa, ao lado de sua mulher, Enrica Fico.
O corpo do diretor italiano será velado nesta quarta-feira na Prefeitura de Roma e depois será levado para a sua cidade natal, Ferrara, no norte da Itália.
16.set.1964
Cineasta italiano Michelangelo Antonioni, 94, que morreu ontem em sua casa, em Roma
"Com Antonioni desaparece não só um dos nossos maiores diretores, mas também um mestre do cinema moderno. Graças a ele chegaram à grande tela as problemáticas mais duras do mundo contemporâneo, como a falta de comunicação e a angústia", disse o prefeito de Roma, Walter Veltroni.
Antonioni despontou na cinematografia italiana com uma forma original de fazer filmes com "Crimes da Alma" ("Cronaca di un Amore", 1950). Em 1960, rodou "A Aventura", que receberia o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes.
Entre suas musas, destacou-se Monica Vitti, estrela de "A Aventura", "A Noite" (1960) e "O Eclipse" (1962).
Em seguida vieram "O Dilema de Uma Vida" ("'Deserto Rosso", 1964) e seu período americano, com "Depois Daquele Beijo" ("Blow-up", 1966), "Zabriskie Point" (1970) e "Profissão: Repórter" (1974).
Outra de suas obras foi realizada com o alemão Wim Wenders, "Além das Nuvens" ("Al di là Delle Nuvole", 1995). O filme se baseia num livro do cineasta italiano.
Com "Blow Up", seu primeiro filme em inglês, recebeu a indicação para o Oscar de melhor diretor. Mas só recebeu a estatueta dourada em 1995, num prêmio por toda a sua carreira.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:34 AM
Sementes da violência
Trata-se de fato muito desolador, mas que precisa ser debatido, assim como a sociedade deve também incentivar e apoiar iniciativas para a redução deste triste fenômeno de jovens violentos porque, na infância ou na adolescência, conviveram com a violência.
É inadmissível que nada se faça para, pelo menos, reduzir práticas violentas em muitos lares. Não é possível aceitar que todos cruzem os braços, omitam-se ou fiquem indiferentes a este plantio de sementes de violência que vai afetar precocemente as crianças e adolescentes, que se tornarão adultos também violentos.
Reportagem publicada na edição de ontem deste jornal relatou exemplos de menores que estão internados em centros de correções por práticas de violência e que demonstram que continuarão sendo violentos, como se o destino fosse lhes negar o direito de recuperação e de ressocialização.
É um castigo cruel essa perspectiva de caminho sem volta para a reintegração social, por culpa do meio em que foram criados. Trata-se de uma injusta e precoce condenação.
Casos recentes, em Brasília e no Rio, mostraram jovens de classe média envolvidos também com violência, o que significa dizer que não apenas nos lares pobres se instala essa espécie de compulsão para a conduta violenta. A ressocialização de jovens da classe média é, no entanto, possibilidade muito maior do que na situação dos jovens originários dos estratos sociais mais pobres – ou mesmo miseráveis.
A sociedade precisa reagir, buscar formas de controle para desalojar essas sementes de violência lançadas no meio em que estão crianças e adolescentes. E é preciso que se aja muito para combater a prática de violência contra essas crianças e esses adolescentes, circunstância que revolta esses menores, a ponto de se inocular neles a tendência de revolta, ódio e marginalização social.
Trata-se de um compromisso que não pode esperar: esta é uma questão que requer iniciativas urgentes.
FONTE: O Popular (31/07/07).
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:11 AM
Segunda-feira, Julho 23, 2007
Aos amigos e defensores das mulheres, Henrique, Flávio e Marcos Vieira;
Chega. Eu quero uma mulher prefeita para a cidade de Anápolis. Em nenhuma época o sexo frágil foi tratado com tanta consideração por parte dos homens como em nossos dias. Sem dúvida, existe entre os asnos sábios do sexo masculino bastantes imbecis, amigos e corruptores de mulheres, que sugerem as estas, despir-se dos traços de mulher e imitar todas as tolices que debilitam os homens. O que na mulher inspira respeito e muitas vezes temor é sua natureza, que é muito “mais natural” que a do homem, sua flexibilidade e suas astúcia de fera, suas garras de tigresa sob as luvas, sua ingenuidade no egoísmo, seu instinto selvagem indomável, a imensidão inatingível e a mobilidade de suas paixões e de suas virtudes. Conhecemos bem esse animal que sempre teve para ti os melhores atrativos e que tu sempre tiveste de temer. Viva as mulheres de Anápolis e do mundo.
Cada dia aprendo mais com vocês. Abraços e força sempre.
HENRIQUE RIBEIRO DIAS
“as pessoas nascem com dois ouvidos e uma boca, para ouvir mais do que falar”.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 5:42 PM

Foto: Divulgação
R.E.M.: “Around The Sun”
publicado em 12/11/2004
Por Rafael Sartori
O R.E.M. sempre fez discos que dividiram a opinião dos fãs e da crítica. Mas, mesmo assim, nunca faltaram faixas brilhantes, que acabavam por convencer a todos do potencial e da qualidade da banda. Mas isso veio acontecendo cada vez menos nos últimos lançamentos, até que a presença delas é praticamente inexistente em “Around The Sun”.
Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck deixaram de lado definitivamente o Rock Pop de outrora para mergulhar de cabeça no chamado Rock Alternativo, sorumbático e depressivo. As letras falam de sofrimento, esperanças (perdidas ou não) e tristeza. Mas o R.E.M. não é o Radiohead e tudo acaba soando bem sem graça.
“Leaving New York”, “Electron Blue” e “The Outsiders”, que abrem o disco, por exemplo, não conseguem chegar ao ponto, não atingem seu objetivo. As canções acabam e o ouvinte se pergunta “e aí?”.
Stipe continua falando sobre política e sua decepção com os Estados Unidos e, em certos momentos, consegue lembrar os tempos áureos do R.E.M. “The Ascent Of Man” e “Aftermath” são, sem dúvida, as duas melhores do disco.
“Around The Sun” tem boas melodias e momentos inspirados, mas por se tratar de uma das bandas mais expressivas dos anos 80 e 90, faltou muita coisa. O álbum é uma continuação ainda mais melancólica de “Reveal”, de 2001. Ou o R.E.M. volta a fazer grandes canções de Rock Pop ou capricha um pouco mais nas linhas depressivas. O que não pode é uma banda com tanto talento fazer um trabalho maçante.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 5:41 PM
Quarta-feira, Julho 18, 2007
VERANEIO VASCAÍNA.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 10:55 AM
LISTAS
Os 100 maiores álbuns de todos os tempos da Time
Por Carlos Tourinho
"Master of Puppets" do METALLICA, "Back in Black" do AC/DC, "Paranoid" do BLACK SABBATH, "IV" do LED ZEPPELIN e "Nevermind" do NIRVANA estão entre os "100 maiores álbuns de todos os tempos, de acordo com os editores da revista Time.
"Nós pesquisamos e ouvimos e agonizamos até que tivéssemos uma lista dos maiores e mais influentes discos já feitos - e então todo mundo reclamou porque não havia nenhum PINK FLOYD nela. E é exatamente assim que deve ser," Josh Tyrangiel e Alan Light escreveram no artigo. "Nós esperamos que vocês tratem o 100 maiores de todos os tempos como um grande cometição musical. Leia e ouça os argumentos para os selecionados, e nos diga o que deixamos passar ou esteja errado. Ou até o que está certo."
Veja abaixo a lista de álbuns, por década:
2000s
The Essential Hank Williams Collection: Turn Back the Years (Hank Williams, Mercury, 2005)
The College Dropout (Kanye West, Roc-a-Fella, 2004)
Portrait of a Legend 1951 - 1964 (Sam Cooke, ABKCO Music & Records, 2003)
Elvis: 30 No. 1 Hits (Elvis Presley, BMG/Elvis, 2002)
The Anthology, 1947 - 1972 (Muddy Waters, Chess, 2001)
Kid A (Radiohead, Capitol, 2000)
Stankonia, Outkast (LaFace, 2000)
Stories From The City, Stories From The Sea (PJ Harvey, UMG Recordings, 2000)
The Marshall Mathers LP (Eminem, Interscope, 2000)
1990s
Sunrise (Elvis Presley, BMG / Elvis, 1999)
Car Wheels on a Gravel Road (Lucinda Williams, Universal, 1998)
OK Computer (Radiohead, Capitol, 1997)
Time Out of Mind (Bob Dylan, Sony, 1997)
Endtroducing... (DJ Shadow, Mo' Wax, 1996)
(What's the Story) Morning Glory (Oasis, Sony, 1995)
Live Through This (Hole, Geffen, 1994)
My Life (Mary J. Blige, MCA, 1994)
Ready to Die (The Notorious B.I.G., Bad Boy, 1994)
Slanted and Enchanted (Pavement, Matador, 1992)
The Chronic (Dr. Dre, Death Row/Interscope, 1992)
Achtung Baby (U2, Island, 1991)
Nevermind (Nirvana, DGC Records, 1991)
Out of Time (R.E.M., Warner Brothers, 1991)
Phil Spector, Back to Mono (1958 - 1969) (Various Artists, Abkco, 1991)
Ropin' The Wind (Garth Brooks, Capitol, 1991)
Star Time (James Brown, Polydor, 1991)
The Low End Theory (A Tribe Called Quest, Jive, 1991)
1980s
Like a Prayer (Madonna, Sire/London/Rhino, 1989)
Paul's Boutique (Beastie Boys, Capitol, 1989)
The Stone Roses (The Stone Roses, Jive, 1989)
It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back (Public Enemy, Def Jam/Columbia, 1988)
Straight Outta Compton (N.W.A, Priority, 1988)
Document (R.E.M., I.R.S. Records, 1987)
Paid in Full (Eric B. and Rakim, Island, 1987)
Sign O' The Times (Prince, Paisley Park, 1987)
The Joshua Tree (U2, Island, 1987)
Graceland (Paul Simon, Warner Brothers, 1986)
Master of Puppets (Metallica, Elektra/Wea, 1986)
Raising Hell (Run-DMC, Arista Records/Profile, 1986)
Legend (Bob Marley and the Wailers, Island/Tuff Gong, 1984)
Purple Rain (Prince, Warner Brothers, 1984)
Stop Making Sense (Talking Heads, Warner Brothers/Wea, 1984)
The Great Twenty-Eight (Chuck Berry, MCA, 1982)
Thriller (Michael Jackson, Sony, 1982)
Back in Black (AC/DC, Atlantic, 1980)
1970s
London Calling (The Clash, Sony, 1979)
One Nation Under a Groove (Parliament / Funkadelic, Warner Brothers, 1978)
Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols (The Sex Pistols, Warner Brothers/Wea, 1977)
Rumours (Fleetwood Mac, Warner Brothers, 1977)
Hotel California (The Eagles, Elektra/Wea, 1976)
Ramones (The Ramones, Sire, 1976)
Songs in the Key of Life (Stevie Wonder, Motown, 1976)
Born to Run (Bruce Springsteen, Sony, 1975)
Horses (Patti Smith, Arista, 1975)
Red Headed Stranger (Willie Nelson, Sony, 1975)
Call Me (Al Green, The Right Stuff, 1973)
Goodbye Yellow Brick Road (Elton John, MCA, 1973)
The Rise And Fall Of Ziggy Stardust (David Bowie, RCA, 1972)
Exile on Main Street (The Rolling Stones, Virgin, 1972)
Talking Book (Stevie Wonder, UMG Recordings, 1972)
The Harder They Come (Jimmy Cliff and Various Artists, Island, 1972)
Blue (Joni Mitchell, Warner Brothers/Wea, 1971)
Coat of Many Colors (Dolly Parton, RCA, 1971)
Hunky Dory (David Bowie, RCA, 1971)
Led Zeppelin IV (a.k.a. Zoso) (Led Zeppelin, Wea International, 1971)
Paranoid (Black Sabbath, Warner Brothers, 1971)
Sticky Fingers (The Rolling Stones, Virgin, 1971)
Tapestry (Carole King, Ode/A&M, 1971)
What's Going On (Marvin Gaye, Motown, 1971)
Who's Next (The Who, Mobile Fidelity, 1971)
After the Gold Rush (Neil Young, Reprise, 1970)
Bridge Over Troubled Water (Simon and Garfunkel, Columbia, 1970)
John Lennon (Plastic Ono Band, Apple/EMI, 1970)
Moondance (Van Morrison, Warner Brothers/Wea, 1970)
1960s
Abbey Road (The Beatles, Capitol, 1969)
Bitches Brew (Miles Davis, Sony, 1969)
Stand! (Sly & the Family Stone, Epic, 1969)
The Band (The Band, Capitol, 1969)
Astral Weeks (Van Morrison, Warner Brothers/Wea, 1968)
At Folsom Prison (Johnny Cash, Sony, 1968)
Lady Soul (Aretha Franklin, Atlantic, 1968)
The BEATLES ("The White Album") (The Beatles, Capitol, 1968)
Are You Experienced (The Jimi Hendrix Experience, Experience Hendrix, 1967)
I Never Loved a Man the Way I Love You (Aretha Franklin, Atlantic, 1967)
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (The Beatles, Capitol, 1967)
The Velvet Underground and Nico (The Velvet Underground, Polydor/Pgd, 1967)
Blonde on Blonde (Bob Dylan, Columbia, 1966)
Pet Sounds (The Beach Boys, DCC, 1966)
Revolver (The Beatles, Capitol, 1966)
Highway 61 Revisited (Bob Dylan, Columbia, 1965)
Otis Blue (Otis Redding, Atlantic, 1965)
Rubber Soul (The Beatles, Capitol, 1965)
A Love Supreme (John Coltrane, Impulse, 1964)
Live at the Apollo (1963) (James Brown, Polydor, 1963)
Modern Sounds in Country and Western Music (Ray Charles, ABC/Paramount, 1962)
King of the Delta Blues Singers (Robert Johnson, Columbia, 1961)
1950s
Kind of Blue (Miles Davis, Sony, 1959)
Here's Little Richard (Little Richard, Specialty, 1957)
Songs for Swingin' Lovers (Frank Sinatra, Capitol, 1955)
In the Wee Small Hours (Frank Sinatra, Capitol, 1954)
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 10:42 AM
Segunda-feira, Julho 16, 2007
Diogo Mainardi - Veja nº 2017 - 18/07/2007
Pra frente, Bulgária!
"Despencamos na lista de países que mais
recebem turistas estrangeiros. Fomos superados
pela Bulgária. O que é que a Bulgária tem?
Tem a mesquita de Banya Bashi, tem o cavaleiro
de Madara, tem sopa fria de pepino e tem kebab.
O Brasil foi esculachado pela Bulgária em outra
estatística internacional: a da corrupção"
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 3:32 PM
DIRETO DA VEJA ON-LINE (REINALDO AZEVEDO)
A hora dos imbecis
Podem procurar. Entre uma vaia e outra, durante a abertura do Pan, o primeiro que lembrou a frase de Nelson Rodrigues — “Maracanã vaia até minuto de silêncio” — fui eu. Como o país está ficando burro, uma tirada , uma quase aforismo, é tomado como categoria de pensamento, como análise sociológica. Assim, o que Nelson elaborou como uma de suas frases lapidares, vinda das profundidades do pensamento de um profeta de costumes, é tomado como verdade definitiva. Mas esperem: e o Maracanã desmentindo o Maracanã? Cesar Maia foi aplaudido, o que está lhe custando a acusação de ter armado a cama de gato pra Lula usando, para tanto, modestas 90 mil pessoas... No dia em que algum partido de oposição conseguir fazer isso, Lula cai, hehe. Não, infelizmente, não foi a oposição.
Sei. Os imbecis podem achar que o Maracanã tem espírito. O Brasil está passando por uma fase religiosa de regressão animista também. Caso se lote o estádio com os clientes do BNDES (ainda que não haja tantos assim, é verdade...), Lula será aplaudido. Caso se lote o estádio com os clientes do Bolsa Família, Lula será aplaudido. O Maracanã assume a alma de quem o ocupa. Caso você lote o Maracanã com indivíduos donos de seu nariz, Lula será, como foi, vaiado.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 3:29 PM
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 3:20 PM
FUTEBOL. A ARTE DE IMPRESSIONAR.
Nunca fui de acreditar em premonições na verdade até domingo passado nunca tinha tido uma. Mas tive um sonho que mexeu comigo.
Sonhei que a Argentina tinha ganhado do Brasil por 3 x 0. Fora o resultado ter acontecido ao contrário, o que mais me chamou a atenção
foi que me pareceu muito real mesmo que a Argentina já tivesse ganhado a Copa América em cima da nossa fraca seleção. Já ouvi diversas
pessoas falarem que sonharam com pessoas e depois essas pessoas as procuravam, morriam, sei lá, algo do tipo. Mas quando acontece
com você parece que você esta sendo avisado de algo, de algo do além. É, eu fiquei impressionado mesmo. Nem tanto pelo resultado, até
então todo mundo acreditava que a Argentina ia dar um olé em cima do Dunga e suas marionetes. Mas logo eu, que não vou à igreja já faz
nem sei quanto tempo, ter uma revelação do divino?.......Acho que não estava preparado para isso.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 3:19 PM
Sexta-feira, Julho 13, 2007
O ÚLTIMO TANGO EM PARISde Bernardo Bertolucci
Filmes proibidos pela censura costumam ser lembrados muito mais pela polêmica que causaram que por suas qualidades artísticas. Assim, para as novas gerações, é possível que "O último tango em Paris" resuma-se à famosa cena da manteiga, comentadíssima à época em que brasileiros sortudos voltavam das férias do exterior e contavam aos demais que, realmente, Marlon Brando usava um tablete de manteiga para fazer coisas impensáveis com Maria Schneider. E Bertolucci, cineasta preocupado em desvendar alguns cantos escondidos da alma humana, ficou famoso como suposto pornógrafo iconoclasta e chique, embalando sacanagens proibidas ao som da trilha "caliente" de Gato Barbieri.
Recentemente, a Folha de S.Paulo publicou uma entrevista (seguida de matéria bastante reacionária) com Maria Schneider, em que a atriz atribui os vários problemas de sua vida pessoal - basicamente: drogas demais e gordura demais - à sua inocência perdida durante as filmagens de "O último tango". Não quero - nem tenho informações suficientes - para entrar no mérito da questão, mas o simples fato da atriz ressaltar, mais uma vez, os aspectos sexuais do filme certamente contribui para reforçar essa falsa imagem de "O último tango em Paris" como um filme erótico. Tá na hora de colocar as coisas nos seus devidos lugares (e nem precisa manteiga).
"O último tango em Paris" não é um filme erótico. É, como todos os filmes intimistas de Bertolucci, uma tentativa de falar abertamente sobre coisas que a sociedade prefere ver trancadas a sete chaves. Dois desconhecidos encontram-se num apartamento vazio e, sem dizerem os nomes, conversam, transam, brigam e procuram um sentido para suas vidas. Ele (Marlon Brando, em atuação digna de 20 Oscars) está em crise porque a mulher acaba de cometer suicídio, sem deixar qualquer explicação. Ela (Maria Schneider, limitada, mas convincente) está em crise porque não sabe se o futuro que deseja para si é um casamento com um jovem cineasta. Para ele, o mundo acabou; para ela, está começando. Para ele, as coisas perderam o sentido; para ela, os sentidos ainda são muito complicados. Entre estes dois seres tão diferentes, há apenas uma ponte: o sexo.
Apenas um débil mental não percebe que as cenas "polêmicas" filmadas por Bertolucci, bastante explícitas para a época, são fundamentais para que o espectador compreenda o tipo de relacionamento possível para aquele casal tão improvável. E poucos lembram o que Marlon Brando fala durante a cena da manteiga: "Vou falar-lhe de segredos de famíla, essa sagrada instituição que pretende incutir virtude em selvagens. Repita o que vou dizer: sagrada família, teto de bons cidadãos. Diga! As crianças são torturadas até mentirem. A vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo. Família, porra de família!" É como se um professor, que não acreditasse mais em nada do que ensinou a vida inteira, tentasse dar uma última aula - verdadeira, desesperada e muito dolorida. E à aluna, subjugada, só restasse perder toda a inocência. Inocentes podem ser felizes, é claro, mas não em filmes como este. Inocentes têm nome, sobrenome, RG, CPF e família constituída. Os personagens de "O último tango" não têm nem um nome um para o outro.
A cena em que Brando fala com o cadáver de sua esposa no velório, alternando momentos de raiva, desorientação e, finalmente, terrível reconciliação consigo mesmo, merece estar em qualquer antologia dos grandes momentos da arte interpretativa deste século. Ele também foi gigante em "O poderoso chefão" e "Apocalypse now", mas aqui sua força nasce das entranhas de um personagem esmagado, sem qualquer glamour ou simpatia. Brando vai para o trono ou não vai? Claro que vai, junto com Bertolucci, que não poupa nem seus colegas cineastas, pintando o retrato patético de um diretor "genial", que pensa estar fazendo uma revolução a cada plano rodado. Do roteiro à montagem, passando pelos eficientes movimentos de câmara (marca registrada de Bertolucci) e pela trilha - pop mas sempre dramática - tudo está a serviço de uma visão de mundo sombria, mas assustadoramente realista.
"O último tango em Paris" merece ser revisto (ou redescoberto) em vídeo, antes que a sua fama pseudo-escandalosa roube de vez sua verdadeira beleza. Bertolucci voltaria ao tema em outra obra-prima - "O céu que nos protege" - igualmente impactante, mas desta vez rodado em grandes espaços, em vez de confinado às quatro paredes de um apartamento vazio. E, pensando bem, que diferença faz? Onde quer que esteja, com quem quer que ande, com o sol abrasador ou uma lua gelada sobre a cabeça, o homem é um solitário à procura dele mesmo, sussurrando e clamando por um sentido para todos os absurdos que encontra pelo caminho. Bertolucci, capaz de contar histórias monumentais e pintar afrescos políticos, como "O último imperador" e "1900", sabe que estes sussurros e estes clamores solitários ainda são a melhor matéria-prima para o bom cinema.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 3:03 PM
Quinta-feira, Julho 12, 2007
A viagem da alegria
Na Semana Santa de 2005 a rotina aeroportuária no Brasil não registrava o grave problema de tumultos nos terminais e
atrasos jamais vistos antes de pousos e decolagens de aeronaves e nem o desconforto que, nos últimos meses, os passageiros
passaram a sofrer.
Foi em meio a este ambiente cordial, risonho e franco dos aeroportos, que a totalidade dos vereadores da Câmara Municipal de
Aparecida de Goiânia, acompanhados de parentes, desfrutou vôo tranqüilo, os encantos e as praias da cidade de Natal, capital
do Rio Grande do Norte.
A justificativa era a de que os vereadores aparecidenses participariam de congresso promovido por uma entidade denominada Instituto
Brasileiro de Apoio aos Municípios, estranhamente programado no curso de um feriadão, lembrando-se que a Sexta-feira Santa é o feriado
mais respeitado no País.
Ninguém pode negar aos vereadores o direito de viajar e aproveitar feriados como o da Semana Santa, inclusive acompanhados dos parentes.
O direito é o mesmo dos demais cidadãos, digamos, cidadãos comuns, mas estes viajam à custa do próprio bolso. As mordomias
dos vereadores de Aparecida e seus parentes, na cidade de Natal, no entanto, foram custeadas com dinheiro público. Esta é a grande diferença.
A sociedade não pode, portanto, bater palmas para a absolvição, pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), de l3 dos vereadores
que curtiram a viagem da alegria na Semana Santa de 2005. Foi condenado apenas o ex-presidente da Câmara Municipal, Geraldo Magela,
com reclusão de 7 anos e 10 meses, em regime semi-aberto.
O promotor Maurício Gonçalves de Camargo refletiu bem este sentimento da sociedade ao declarar que não se esperava essa decisão, a
qual serve apenas para reforçar a descrença na Justiça. Fica aí mais um exemplo de mau costume impune. É a impunidade incentivando
novas práticas de alguma forma semelhantes.
FONTE O POPULAR - 11/07/2007
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 2:06 PM
Sexta-feira, Julho 06, 2007
Culpa da imprensa?
Pressionado por considerável parte dos senadores a se afastar da presidência do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) saiu-se com incrível insinuação, colocando na imprensa a culpa decorrente de acusações contra ele. Chega a ser ridículo o que afirmou, dizendo não saber do que o acusam e que a crise é artificial.
Também na época da crise que derrubou Fernando Collor do governo, no início da década de 1990, o então presidente recorreu a argumento semelhante, acusando a imprensa de perseguição.
A propósito: Renan, no período Collor, era líder do governo no Congresso e fazia parte do grupo que tentou defendê-lo. Outra semelhança: também na crise que acabou afastando Collor da presidência, não se registrou saque ou uso de dinheiro público. Foi dinheiro de empresas privadas, que era controlado por homem de confiança do presidente, como agora. Segundo as acusações, são repasses financeiros de uma empreiteira para a mãe de uma filha fora do casamento que o senador Renan Calheiros reconheceu.
A mídia não invadiu a privacidade pessoal do presidente do Senado. Nem sequer questionou a pulada de cerca, como se diz popularmente, do senador, pois isto se trata de assunto pessoal dele. Agora, lobbista de uma empreiteira que tem contratos de elevado valor com o governo, pagando a mãe da filha fora do casamento do senador, neste caso já se trata de algo que resvala para o compromisso público do político.
Nada é mais óbvio: uma empreiteira não faz este tipo de grande favor a um político sem estar criando um relacionamento para cobrar com juros esta ajuda financeira. Aceitar este tipo de ajuda é incorrer em delito ético. O senador pecou contra a ética, as investigações só vão piorando a sua situação. Ele, de fato, já deveria ter pedido o afastamento do cargo de presidente, em vez de ficar jogando a culpa na mídia.
FONTE: O POPULAR
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 9:21 AM
Quarta-feira, Julho 04, 2007
ANDRE PETRY - VEJA
André Petry
Você entregaria seu filho?
"Você, leitor, entregaria seu filho,
que cometeu uma violência covarde,
para coisificar-se na barbárie das
prisões brasileiras?"
"Tchau, filho." Foi assim que Ludovico Bruno se despediu do filho Rubens, de 19 anos, que ajudou a espancar a doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, no Rio de Janeiro. Com o filho partindo a bordo de um carro de polícia, Ludovico, o pai, chorou, passou a mão na cabeça, zanzou desorientado e acabou dando uma declaração que provocou espanto mais ou menos generalizado. Em defesa do filho, disse:
– Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter presas crianças que estão na faculdade, estudando, trabalhando.
Ludovico Bruno está errado? Ludovico Bruno está moralmente obrigado a defender a prisão do filho? Ludovico Bruno deve colocar a exigência de justiça acima do sentimento paterno? A resposta: Ludovico Bruno está perplexo – e que atire a primeira pedra o pai que, numa situação parecida, não caísse na perplexidade e vacilasse entre defender o filho e a justiça. Porque, no Brasil, há fortes razões para vacilar.
A primeira, a primeiríssima, é que estamos no país da mais amarga impunidade. Se – Ludovico deve se perguntar – ninguém vai preso, se o assassino confesso da jornalista Sandra Gomide está livre, se os senadores debocham do país com explicações vergonhosas sobre seus milhões aos borbotões, se as quadrilhas do mensalão, dos vampiros, dos sanguessugas estão todas livres e leves e soltas, por que o meu filho deve ser preso? Por que só o meu filho?
Eis a distorção que a impunidade causa. Claro que não há dúvida sobre a necessidade, a correção e a importância da punição a Rubens Bruno e a seus comparsas por espancarem covardemente uma mulher indefesa numa parada de ônibus. Isso não está em discussão. O que está em discussão, o que deve resultar em reflexão, é a perplexidade de um pai mediante a iminente punição de seu filho num país em que a impunidade é uma regra repulsiva. E, mesmo aceitando a punição, qual a punição adequada? Cadeia?
Eis a segunda razão para a perplexidade de Ludovico: prisão para quê? Se – Ludovico deve se perguntar – ninguém vai preso, se as prisões do país são desumanas, por que o meu filho, só o meu filho, deve ser enviado a essa sucursal do inferno? É com prisões assim, transbordando de crueldade e rebaixando homens a animais, que se quer pais entregando filhos criminosos à polícia em nome da justiça? Você, leitor, entregaria seu filho, que cometeu uma violência covarde, para coisificar-se na barbárie das prisões brasileiras?
A sociedade brasileira está se especializando em hipocrisia. O espancamento da doméstica produziu a mais recente: solidarizar-se com ela é imperioso, mas, em paralelo, xingar o pai pela defesa do filho é uma hipocrisia – em um país, repita-se, em que se combinam impunidade debochada e prisões desumanas.
Ainda que punição boa seja sempre para os outros, para o filho dos outros, é preciso reconhecer que só seremos um país capaz de se espantar com a declaração de Ludovico no dia em que criminosos, de gravata ou de chinelo, acabarem na cadeia pelos crimes que cometerem – e a cadeia for um local de punição, sim, mas não de selvageria.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:40 AM
GOIANIA-GO pertinho de BRASILIA-DF
PORQUE?
Às escondidas
A Assembléia Legislativa de Goiás aprovou reajuste salarial dos seus integrantes, sem cometer desrespeito às normas constitucionais,
mas incorrendo no pecado da falta de transparência. Ao tomar conhecimento de como o Poder Legislativo estadual procedeu, neste caso,
a sociedade tem o direito de perguntar: por que tarde da noite, às escondidas?
Nos países mais adiantados, e o Brasil precisa se mirar no exemplo deles, não no daqueles que se agarram a anacronismos e até suprimem
a liberdade de informação, falta de transparência em decisões políticas é algo totalmente do passado. Não existe mais este tipo de costume.
Na legislatura passada, a Assembléia Legislativa já não foi muito transparente, ficaram sob suspeita alguns gastos, os quais geraram polêmica
no início da atual, sendo a mesa diretora criticada inclusive pelo fato de não ter dado à opinião pública pleno conhecimento do que aconteceu.
Esperava-se que haveria mais transparência agora. No caso deste reajuste dos salários dos parlamentares, o correto teria sido o anúncio prévio
de que o tema estaria em pauta. Também não é praxe decisões dessa natureza na sessão de segunda-feira, que é noturna, e geralmente aproveitada
para sessões do tipo prestação de homenagens, das quais a mais comum e freqüente é o da concessão de título honorífico de cidadania goiana.
Desta vez foi diferente, singularmente estranha a sessão de segunda-feira, inclusive por ter ultrapassado a faixa das 22 horas. Como se houvesse
a intenção mesmo de deixar que o público só viesse a tomar conhecimento depois do fato consumado.
Como houve decisão da Câmara dos Deputados elevando a remuneração dos deputados federais, a Assembléia Legislativa goiana, sob este aspecto,
não fez algo errado. A Constituição autoriza reajuste na mesma proporção aos deputados estaduais. Mas às escondidas, por quê?
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:30 AM