FILOSOFIA BARATA

....sem essa, são só idéias jogadas que formam uma linha de raciocínio.



Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Documentário conta a história do heavy metal.

O documentário Metal: A Headbanger's Journey (algo como A Jornada de um Metaleiro), reconta a história do heavy metal, um dos gêneros mais populares do chamado "rock pesado".
O filme, de 2005, é dirigido pelo cineasta Scot McFadyen e pelo antropólogo canadense Sam Dunn. Fã de metal desde os 12 anos, Dunn viajou pelo mundo atrás dos maiores festivais e dos ídolos deste gênero musical.
Fazendo uma história cronológica do rock pesado, ele entrevista nomes emblemáticos como Ronnie James Dio e Tommy Iommi (do Black Sabbath), o roqueiro Alice Cooper, Lemmy, do Motörhead, Rob Zombie (White Zombie) entre outros.
O antropólogo também vai a festivais para entrevistar fãs e mostrar a idolatria dos jovens por este gênero musical. A análise de Dunn apresenta sub-gêneros, como black metal, thrash metal e glam metal.
Em um dos melhores momentos do filme, o canadense vai à noruega, entrevistas integrantes de bandas satanistas, entre eles ex-companheiros de Varg Vikernes, da banda Burzum, que cumpre sentença por assassinato e incêndio criminoso de igrejas.

Metal: A Headbanger's Journey foi lançado no Toronto International Film Festival, em 2005 e saiu em uma edição especial em DVD duplo em setembro de 2006. O filme não tem previsão de lançamento no Brasil.


Redação Terra

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 9:05 AM



Terça-feira, Agosto 21, 2007


INCUBUS - A Crow Left Of The Murder - (Enfim, este álbum é um prato cheio para fãs de música em geral. Recomendadíssimo.)


Após três anos de espera, os fãs de Incubus puseram as mãos em um novo trabalho de estúdio da banda.

Embora sejam pouco conhecidos no Brasil, o Incubus faz um sucesso relativo nos EUA, misturando diversos elementos (como funk e jazz, por exemplo) ao bom e velho rock and roll.

No começo da carreira, o Incubus tinha um estilo mais aproximado do Red Hot Chili Peppers no disco Blood Sugar Sex Magik, de 1991. Porém, a cada disco a banda foi adquirindo uma personalidade diferenciada (embora os primeiros álbuns sejam ótimos).

Alguns fãs torceram o nariz para Morning View (trabalho anterior ao novo lançamento), pois a banda apresentou uma considerável perda de peso e da 'pegada' dos outros álbuns. Mas "A Crow Left Of The Murder" é o perfeito equilíbrio da carreira da banda.

Vamos ao review faixa a faixa:

01. Megalomaniac (4:54) - Além de ser a faixa de abertura, é o primeiro single deste álbum. É uma boa música, apresenta um peso relativo e um ritmo bem cadenciado. A letra, altamente política, critica os governantes 'megalomaníacos' do mundo.

02. A Crow Left Of The Murder (3:30) - A faixa título apresenta uma levada bem original, com a bateria bem trabalhada. Os vocais de Brandon Boyd estão muito bem trabalhados.

03. Agoraphobia (3:52) - Faixa bem rock-pop, com uma letra bem original sobre agorafobia (medo de lugares abertos - contrário de claustrofobia). O refrão chama bem a atenção.

04. Talk Shows On Mute (3:49) - Segundo single deste trabalho. A música tem uma levada semelhante à anterior, mas talvez seja mais interessante. A letra, novamente original, foi inspirada no livro 1984.

05. Beware! Criminal (3:48) - Música bem equilibrada, misturando partes mais calmas com um refrão explosivo. Destaque para os vocais de Boyd e para a guitarra muito bem trabalhada de Mike.

06. Sick Sad Little World (6:23) - Talvez a melhor faixa do álbum. É quase uma intermediária entre o Incubus do disco S.C.I.E.N.C.E. (1997) e Make Yourself (1999). Apresenta a energia do primeiro e o cuidado do segundo. Destaque para o solo de guitarra de Mike.

07. Pistola (4:23) - Outra faixa que nos remete ao S.C.I.E.N.C.E.. Possui um ritmo mais acelerado, com bastante ênfase no DJ e nos vocais de Boyd. Um dos destaques do álbum.

08. Southern Girl (3:41) - Ótima balada, onde Boyd mostra sua habilidade para tratar de temas extremamente abordados de maneira original. A cadência dos acordes chama a atenção.

09. Priceless (4:07) - Faixa bem agitada, que mais uma vez parece ter saído do S.C.I.E.N.C.E.. Chama bem a atenção pela complexidade da estrutura e pelo refrão marcante.

10. Zee Deveel (3:52) - Totalmente original. O ritmo lembra um pouco às velhas músicas circenses, mas sem perder a personalidade. Chama a atenção.

11. Made For TV Movie (3:38) - Uma quase balada que apresenta, mais uma vez, um refrão bem marcante. Os backing vocals são bem trabalhados aqui, além do impecável vocal de Boyd.

12. Smile Lines (3:59) - Música bem agitada, com pausas bem interessantes, que destacam ainda mais o vocal. Destaque também para o novo baixista, Ben Kenney.

13. Here In My Room (4:20) - Balada pseudo-romântica. O piano nesta música dá um clima bem diferente do habitual das músicas do Incubus. A letra fala sobre sexo casual com uma incrível originalidade.

14. Leech (4:19) - A faixa que encerra o álbum é um rock de extrema qualidade, com um ritmo muito bem trabalhado, além do refrão marcante.


Incubus:
Brandon Boyd - Vocal
Mike Einziger - Guitarra
Ben Kenney - Baixo
Chris Kilmore - DJ
Joe Pasillias - Bateria

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 11:33 AM



Segunda-feira, Agosto 20, 2007

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - MACHADO DE ASSIS

Com Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, Machado de Assis inaugura o realismo nas letras brasileiras. A partir dessa obra ele se revela um arguto observador e analista psicológico dos personagens.
O ritmo da obra é lento, com várias digressões e narrado de maneira irreverente e irônica por um "defunto autor" (e não um "autor defunto", como podem pensar). Brás Cubas, por estar morto, se exime de qualquer compromisso com a sociedade, estando livre para critica-la e revelar as hipocrisias e vaidades das pessoas com quem conviveu.
Brás Cubas vai contando a sua vida e contando os vários episódios que viveu. Conta sobre a prostituta de luxo espanhola Marcela, que o amou "durante quinze meses e onze contos de réis". Para livrar-se dela, os pais de Brás Cubas decidem manda-lo para a Europa. Volta doutor, em tempo de ver a mãe antes de morrer. O seu amigo de escola Quincas Borba:

"Uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância,
nunca em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso,
inventivo e travesso"
E quando ele o reencontra anos depois:
"Aposto que me não conhece, Senhor Doutor Cubas?
disse ele.
Não me lembra...
Sou o Borba, o Quincas Borba. (...)
O Quincas Borba! Não; impossível; não pode ser. Não podia
acabar de crer que essa figura esquálida, essa barba pintada
de branco, esse maltrapilho avelhentado, que toda essa ruína
fosse o Quincas Borba. E era."

Pouco depois Quincas Borba aparece rico e filósofo, herdeiro de uma grande fortuna e propagador do Humanitismo.
O seu projeto político nunca alcançou, muito bem explicado no capítulo 139:

"De Como Não Fui Ministro d'Estado
............................................................
............................................................
............................................................"

O amor por Virgília, o caso extra-conjugal que teve com ela, e a alegria de ter um filho:

"Lá me escapou a decifração do mistério, (...) quando Virgília me
pareceu um pouco diferente do que era. Um filho! Um ser tirado do meu
ser! Esta era a minha preocupação exclusiva daquele tempo.
Olhos do mundo, zelos do marido, morte do Viegas, nada me
interessava por então, nem conflitos políticos, nem revolu-
ções, nem terromotos, nem nada. Eu só pensava naquele
embrião anônimo, de obscura paternidade, e uma voz secreta
me dizia: é teu filho. Meu filho! E repetia estas duas palavras,
com certa voluptuosidade indefinível, e não sei que assomos
de orgulho. Sentia-me homem."

A criança morre antes de nascer, e os amantes se separam. A irmã arranja-lhe uma noiva, Eulália, que no entanto, morre vítima de uma epidemia.
Sem conseguir ser político, Cubas em busca da celebridade tenta lançar o emplastro Brás Cubas, porem vêm a falecer de pneumonia antes de realizar o seu intento.
O último capítulo é bastante elucidativo:

"Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a
celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não
conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas,
coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do
meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a
semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e
outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem
sobra, e conseguintemente que sai quite com a vida. E imagi-
nará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério,
achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa
deste capítulo de negativas: Não tive filhos, não transmiti
a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."

O mais importante da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas certamente não é o enredo e sim a linguagem utilizada por Machado de Assis. A denúncia tácita da sociedade, por meio da leve ironia e humor.

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 2:42 PM



Sexta-feira, Agosto 17, 2007

Favourite Worst Nightmare - Arctic Monkeys (não gosto da capa e não vou colocá-la - O blog é meu e pronto!.)


Você já não é a “next big thing”, é uma realidade que se impõe por sua qualidade e reconhecimento em todas as frentes. Vem a famosa “pressão do segundo álbum”, com todas aquelas críticas semi-prontas esperando apenas o lançamento para lançar dúvidas sobre a sua carreira. Afinal, novidades esgotam rápido. O que você faz?

“Este é o nosso pior pesadelo favorito”, anuncia Alex Turner. Título irônico, perspicaz e tremendamente inteligente. Para não deixar dúvidas, o primeiro single, “Brianstorm”, é uma paulada inquestionável, desferindo um golpe pesadíssimo no roteiro preparado pra estragar a festa. Eles não querem – e não precisam – amadurecer. Sendo que o termo, na música pop, está associada a uma nítida perda de ritmo, temas mais leves e um resultado morno. “Esperem isso de outra banda”, parecem responder “D Is For Dangerous” e “Flourescent Adolescent”, uma autêntica gema pop, fruto de um grupo com tino inegável para aquilo que faz.

Das 12 composições, apenas duas ultrapassam os três minutos e meio, e muitas estão bem abaixo disto. É a influência do punk e pós-punk que jamais deixaram de estar presentes na Inglaterra e que impregnam – saudavelmente – boa parte do que se seguiu como principalmente a produção atual. Você, de fato, irá ouvir ecos de Clash e Smiths sem dificuldade ao longo da audição. Maiores ícones, e também os de sonoridade mais rica, dos dois estilos citados aqui, é natural que seu legado corra nas veias dos jovens britânicos e o Monkeys se apropria disto muito bem: riffs orgânicos e marcantes, melodias bem trabalhadas com variação de climas, punch, tempos incomuns e linhas vocais que te conquistam logo no primeiro contato. Experimente “Balaclava” – estupenda, diga-se - “Do Me A Favour” e “Old Yellow Bricks”.

Mas não é tudo. “If You Were There, Beware” é outro ótimo exemplo de como estes rapazes se diferenciam: um instrumental aparentemente indefinido, quebrado, talvez “atropelando a si mesmo”, saindo e retornando ao eixo que revela, na verdade, uma banda criativa e com muito tesão pra queimar. Algo que fica ainda mais evidente em “The Bad Thing”, bem próxima do hit “I Bet You Look Good On The Dancefloor” e que sem dúvida incendiará os shows ao vivo. Eles sabem ser rápidos e sabem construir melodias com parcimônia e cuidado. Reúnem o melhor da verve agressiva e corajosa do rock, com aquela energia intrínseca explodindo por todos os lados e a tremenda capacidade de colocar isso num senso pop admirável e suculento, tornando-os interessantes para uma gama considerável do público.

Sintoma mais do que claro para afirmar que não são apenas mais um hype desenfreado da mídia. Caso raro onde a ovação corresponde à realidade. Em dois anos, o Arctic Monkeys fez muito e já possui dois álbuns no mínimo excelentes no currículo. Coisa pra poucos. Mantido – e ampliado – este nível, podemos estar diante do primeiro fenômeno musical do século XXI com personalidade e que dá motivos para crermos que podem ir bem além de onde já estão. Olhos e ouvidos neles. A turnê brasileira vem aí. Ótima oportunidade para atestarmos como tudo isso se comporta no palco, ao vivo, entregues à própria conta. Aí, não haverá mais nenhuma dúvida para sanar.

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 1:10 PM



Terça-feira, Agosto 14, 2007


Van Halen anuncia reunião com David Lee Roth (Por Victor Guilherme Chaves)

Hoje, 13 de agosto de 2007, o VAN HALEN anunciou sua volta definitiva e comentou detalhes sobre a nova turnê em conferência concedida exclusivamente ao canal CNN (os fãs também puderam ver a notícia através do site oficial do canal). Além disso, o site oficial da banda foi reformulado e a seguinte mensagem pode ser conferida no mesmo (para ler na íntegra, em inglês, acessem os links no final da mensagem):
"Começando em setembro e prometendo que essa será a turnê mais excitante do ano, VAN HALEN sairá em turnê com seu vocalista original David Lee Roth pela primeira vez depois de 22 anos.
Considerado pelos fãs e pela mídia especializada como uma das turnês mais esperadas da história do rock n' roll, Roth, o guitarrista Eddie VAN HALEN e o baterista Alex VAN HALEN se apresentarão com o filho de Eddie, Wolfgang, que se une à banda como seu baixista. VAN HALEN e David Lee Roth não se apresentaram ou gravaram juntos desde o multi-platinado álbum '1984' e a sua respectiva turnê, o que torna essa reunião um verdadeiro evento histórico.
25 datas foram anunciadas hoje para a turnê, que tem seu início planejado para 27 de setembro, em Charlotte, North Caroline. Ingressos para as datas marcadas na turnê estarão à venda a partir desse sábado, 18 de agosto, e poderão ser comprados no site www.LiveNation.com. A lista completa de datas pode ser vista nesse link: www.van-halen.com/tour.html. A tour do Van Halen está sendo produzida pela Live Nation. Aqueles que têm o cartão Citi® / AAdvantage®, o crédito oficial da turnê, poderão adquirir lugares de preferência em todos os shows dos EUA.
Os fãs poderão experimentar a experiência suprema da banda, incluindo concertos pré-show, acesso a camarim, lugares premiados e mais. Para mais detalhes, entrem em www.ILoveAllAccess.com.

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:39 AM



Segunda-feira, Agosto 06, 2007

DIRETO DA VEJA.
Reinaldo Azevedo
O Movimento dos Sem-Bolsa

"Um grito de protesto da classe média é ilegítimo? É ela hoje o verdadeiro 'negro' do Brasil. Ninguém a protege: estado, ONG, igrejas, nada... Corajosa, sem líder, sozinha, sem tucano, vaiou no Rio, vaiou em São Paulo, quer vaiar no Brasil inteiro"

Fernando Pilatos/Gazeta Press/AE

Lula, ao lado do governador Sérgio Cabral, durante a vaia no Maracanã: a oposição se faz de surda


Quem tem boca vaia Lula. A frase é lema e divisa de um bom número de inconformados. Os apupos explodiram primeiro no Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos. O presidente estava lá. Foram reiterados na cerimônia de encerramento, da qual ele se manteve a uma prudente distância. Em São Paulo, milhares de pessoas enfrentaram o frio numa passeata, unidas pela palavra "Cansei". As 75 000 vozes do 13 de Julho, no estádio carioca, eram um protesto e uma premonição: quatro dias depois, 199 corpos assariam na pira macabra da desídia. Não sei quem se surpreendeu mais com o coro dos descontentes: o próprio Lula, acostumado aos paparicos de seus bolsistas, ou as oposições, em especial o PSDB, cujos líderes trocam bicadas para ter o discutível privilégio de ser o preferido do Estimado Líder.

Surpresa? Vaias e passeata nada têm de inexplicável. Lula obteve o segundo mandato com 58 milhões de votos – e isso significa que 66 milhões de eleitores não o escolheram. Lanço aqui uma sombra de ilegitimidade sobre o seu mandato? Não – até porque acho o voto obrigatório indecente. Relevo é o fato de que o petista está longe de ser uma unanimidade. A exemplo do que se viu no primeiro mandato, as dificuldades políticas que ele enfrenta, no entanto, são obra de seus próprios aliados e de sua administração, jamais dos adversários. E por quê? Porque o Brasil esqueceu – e esta é uma tarefa das oposições – como se faz política sem crise econômica.

Desde a redemocratização, é a tal crise, ou a ameaça dela, que pauta o debate. Ela tem sido o elemento redutor de todas as divergências e demandas. Ora, catorze anos de aposta na estabilidade, já caminhando para quinze, expulsaram esse fantasma. Em algum lugar, é certo, ele se esconde. Mas isso é verdade para qualquer país – a prosperidade perpétua é uma utopia. Ocorre que não adianta mais anunciar nem o apocalipse nem a redenção. Quem quiser tomar a cadeira do PT vai ter de redescobrir a política, que pauta os debates e divide opiniões nas outras democracias.

Antes que prossiga na trilha do primeiro parágrafo, permitam-me uma digressão. A Al Qaeda eletrônica do petismo e os colunistas que jamais dizem "Epa!" apressam-se em abraçar duas explicações distintas, mas combinadas, para os protestos: 1) partem da classe média branca e incluída; 2) são manifestações manipuladas por golpistas. Os petistas estão indecisos, como se vê, entre o arranca-rabo de classes e a teoria conspiratória. Os terroristas cibernéticos – células dormentes da esquerdopatia despertadas para defender o chefe – atuam para tirar dos ombros de Lula a responsabilidade por seu próprio governo.

Ainda que estivessem certos, pergunto: um grito de protesto da classe média é ilegítimo? É ela hoje o verdadeiro "negro" do Brasil: paga impostos abusivos; não utiliza um miserável serviço do estado, sendo obrigada a arcar com os custos de saúde, educação e segurança; tem perdido progressivamente a capacidade de consumo e de poupança; é o esteio das políticas ditas sociais do governo, e, por que não lembrar?, ninguém a protege: estado, ONG, igrejas, nada... Está entregue a si mesma: nas escolas, nas ruas, nos campos, nos aeroportos. Pior: está proibida até de velar os seus mortos. Quando um classe-média morre de bala perdida ou assado num avião, o protesto é logo abafado pela tese delinqüente de algum cientista social ou jornalista que acusa a gritaria dos incluídos. Lula foi vaiado no Maracanã porque era o nhonhô na senzala dos escravos do seu regime.

Começo aqui a juntar o fio da minha digressão com aquele que está lá no início do texto. É possível, sim, que houvesse no Maracanã e nas ruas de São Paulo uma maioria de pessoas da classe média. São os espoliados do regime lulista, mas também homens livres porque não dependentes da caridade estatal, da papa servida na senzala ou na casa-grande. Eu lhes apresento o MSB: o Movimento dos Sem-Bolsa. Não são nem os peixes grandes, que se alimentam da Bolsa-BNDES, nem os peixes pequenos, que vivem do Bolsa Família. A classe média, coitadinha, se financia é nos bancos mesmo, sem taxa camarada.

Corajosa, sem líder, sozinha, sem tucano, vaiou no Rio, vaiou em São Paulo, quer vaiar no Brasil inteiro. Os oposicionistas estão se fazendo de surdos. Se é para levar alguns espertalhões para o Conselho de Ética, deixam a tarefa para o PSOL. O governo debate a ampliação do aborto legal e chega a adotar um método abortivo, contra a Constituição? Eles ignoram. Lula veta uma emenda da Super-Receita e pode provocar um desastre nas microempresas de serviços? Quatro milhões de pessoas ficam ao relento, sem apoio. Um grupinho de aloprados resolve recriar a censura prévia no país? Não se ouve uma voz graduada em sinal de protesto. A crise nos aeroportos mata? A reação é não mais do que burocrática. Debate-se a possibilidade de as Forças Armadas agirem no combate ao crime, em vez de ficar internadas, engraxando baionetas enferrujadas? Os líderes da oposição, especialmente tucanos, nada têm a dizer. O país cobra a maioridade penal aos 16 anos? Eles esperam passar o clamor.

O austríaco Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, perguntou, certa feita, sem chegar a uma resposta definitiva: "Mas, afinal, o que querem as mulheres?". Serei o barbudo de charuto do PSDB e do DEM: "Mas, afinal, o que querem as oposições?". Admito que elas não formem um grupo homogêneo, o que as impede, sei bem, de desejar uma única coisa. Se as mulheres vistas por Freud demonstravam uma inquietude sem alvo ou ainda sem objeto definido (ao menos para ele), as oposições padecem é de excessiva quietude e condescendência com o lulismo. E gostam de se comportar como a mulher do padre: deixam que o petista defina a sua identidade e só exercem o papel que Lula lhes outorga.

Assim, vai-se fazendo uma política que se manifesta como negação da política: líderes oposicionistas, especialmente os governadores, estão sempre ocupados em negar que tal ou qual ação seja contra o governo federal – como se fosse um ato criminoso opor-se a ele. Cria-se uma cisão, que é pura especulação teórica, sem base empírica, entre "administrar" e "fazer política". E qual é o marcador dessa falsa disjunção? A economia. Como não se vislumbra a possibilidade de uma crise nos três ou quatro anos vindouros, os oposicionistas, sobretudo tucanos, parecem ambicionar apresentar-se como a resposta necessária para os desafios do pós-Lula – mas de braços dados com o lulismo.

Há nessa pretensão uma formidável ilusão, que consiste em supor que se possa ter um lulismo sem Lula; que se possa apenas dar mais eficiência à economia, mas preservando os fundamentos do estado patrão, assistencialista, gigante e reparador. As oposições refugam todas as chances que apareceram de ter uma agenda própria e de falar àquela gente do Maracanã e dos aeroportos. Gente capaz de, resistindo à gigantesca máquina oficial de culto à personalidade, vaiar Lula. Os que deveriam liderar a resistência tornam-se caudatários e até propagandistas do assistencialismo, tentando emular com aquele que deveria ser o seu antípoda. E eu lhes digo: inexiste um lulismo virtuoso, universitário, de barba feita e gramática no lugar. Inexiste o lulismo sem Lula.

Sim, a vaia do Maracanã era um protesto e uma premonição; expressava um juízo sobre o passado e traduzia uma expectativa, macabramente cumprida. O Maracanã e o movimento "Cansei" não são o Brasil, sei bem. Mas são bastante representativos da parcela que não tem nem Bolsa Família nem Bolsa BNDES. Um Brasil que, pasmem!, é a imensa maioria. Falta que se tenha essa clareza. A crise política que aí está é uma crise de liderança das oposições. Ou alguém se apresenta ou já pode ir-se preparando para entrar também na fila da vaia.

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 3:41 PM





TEMA DE HOJE:

“HANNIBAL A ORIGEM DO MAL.”

Primeiro: Mata-me de raiva ler uma crítica ou uma sinopse, tentando comparar esse filme ao aclamado e ganhador de 5 Oscars; O SILÊNCIO DOS INOCENTES.

Segundo: Fazia tempo que um filme não mexia tanto comigo quanto esse A Origem do Mal, a seqüência inicial em que o menino Hannibal, indefeso, assiste sua irmã de 2 anos, ser brutalmente assassinada e devorada por canibais alemães durante a segunda guerra mundial, mexe com qualquer um.

Terceiro: Tenho duas filhas, uma de 5 e outra de 2 anos, fiquei pensando se algo parecido tivesse acontecido com minha peguena Kayla de 2 anos, e me transportei de cabeça para o filme. Compartilhei do desejo de vingança e fui ao delírio com todos os assassinatos e atos de canibalismo cometido pelo jovem Lecter.

Quarto e último: È difícil controlar o verdadeiro sentimento de vingança.


MARIO.

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 3:09 PM



Sexta-feira, Agosto 03, 2007

E A URNA?

Carta aos anapolinos de 2057

Os anapolinos de 2057 vão ter que buscar outras informações para confrontar com a verdade oficial, estampada nas publicações chapas brancas.


Nas conversas que tive com homens e mulheres que participaram das festividades do Cinqüentenário de Anápolis, fui informado de que o prefeito da época, Carlos de Pina, não impôs nenhum tipo de censura nas correspondências e nos jornais colocados na Urna que será aberta na próxima terça-feira – 31 de julho de 2007. Mesmo sendo de uma família conservadora, Carlos de Pina, foi um liberal, principalmente em relação às mensagens colocadas na urna, há 50 anos.

Hoje, o prefeito de Anápolis é uma pessoa de esquerda. Ele já foi filiado ao PT e depois ao Partido Socialista Brasileiro, aliás, o seu mandato atual foi conquistado por aquela legenda socialista. No entanto, a censura imposta por ele às mensagens e aos jornais que estarão na urna que será aberta em 2057, não permite o retrato da verdade. Os anapolinos que estarão presentes na abertura da urna naquele ano, não vão ser informados da verdadeira situação da cidade, por ocasião do seu Centenário. Na melhor das hipóteses, as mensagens vão retratar meias verdades. Sonegar a verdade aos homens e mulheres do futuro, é castrar a história.

Não sei qual o conteúdo da Revista Centenária. Ela foi editada por profissionais da Prefeitura e financiada pelos cofres públicos. Diferentemente da revista A Cinqüentenária, que foi editada por Raul José os Santos, que na época era um dos diretores do jornal O Anápolis e foi quase toda ela redigida por João Luiz de Oliveira, ex-prefeito de Anápolis (de 1.930 a 1.934 e de 1.953 a 1.955). Como se vê, não existiu dinheiro público, mesmo porque foi toda ela financiada pela iniciativa privada, através de anúncios publicitários.

No início de 2007, cheguei a anunciar que O Anápolis iria editar uma revista com o titulo A Centenária, mas logo um porta voz da Prefeitura anunciou a publicação da revista, com o mesmo título. Deve ser uma revista com alta qualidade gráfica, mas a despesa de sua impressão deve sair toda dos cofres da Prefeitura. As reportagens e artigos devem ter passados pela censura oficial do prefeito e de sua gente. Assim sendo, não preciso lê-la para afirmar que se trata de uma publicação chapa branca e apenas com a verdade do Pedro Sahium e não a verdade dos fatos.

Para estabelecer a verdade, vai ser necessário que haja outras publicações independentes. Os anapolinos de 2057 vão ter que buscar outras informações para confrontar com a verdade oficial, estampada nas publicações chapas brancas. Em nenhum momento e em nenhuma publicação oficial o leitor vai encontrar a informação de que o atual prefeito, que por sinal está presidindo as solenidades alusivas ao Centenário, é um prefeito cassado pela Justiça, cuja sentença já foi ratificada três vezes pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Não consta, por exemplo, que o prefeito enfrenta várias denúncias de malversação do dinheiro do povo, inclusive o superfaturamento de quatro escolas, construídas com recursos do FUNDEF. Essas escolas poderiam ser construídas ao custo de R$150.000,00 cada ou R$600.000,00 no total, no entanto, custaram quase R$2.000.000,00. Os assessores do prefeito estão dizendo por ai que Pedro Sahium não teve nada a ver com a construção das escolas e que a responsabilidade é do ex-secretário Edmar de Sousa Moura. Esses porta vozes chapas brancas esquecem que quem assinou o contrato com a construtora foi o prefeito. Então, basta este fato para rechassar qualquer afirmação nesse sentido.

Nas publicações oficiais da Prefeitura, não vai constar informação como a de que o prefeito Pedro Sahium pegou o Município com R$72 milhões de dívida consolidada e em dois anos elevou-a para R$137 milhões. Não vai constar informação de que ele recebeu a Prefeitura com uma Receita Corrente Líquida da ordem de R$12 milhões mensais e que no início do terceiro ano de sua administração a RCL já ultrapassava a casa dos R$20 milhões de Reais (algo em torno de 10 milhões de dólares).

Dezenas de informações importantes e todas elas estribadas em documentos oficiais, as quais retratam a verdadeira situação da Prefeitura, não estarão nos documentos oficias. Para melhor esclarecer o verdadeiro quadro em que se encontra a cidade, na data do seu Centenário, estou concluindo a redação do livro “Lambança II”, a ser editado nos próximos meses. Pelo livro, que certamente estará em alguma biblioteca no ano de 2057, os homens e mulheres do futuro, saberão a verdade por inteira. Para tranqüilidade dos anapolinos que viverão por ocasião dos 150 anos de Anápolis, posso afirmar com toda transparência que o livro não terá dinheiro de nenhuma instituição pública e será todo ele custeado por mim e por alguns amigos que não me cobrarão uma virgula diferente da verdade. A leitura desse livro será uma das melhores opções para as pessoas saberem a verdade, mesmo porque tudo o que afirmo, através do que escrevo ou falo, é estribado em documentos.

Vou deixar aqui uma sugestão para o prefeito que for eleito no próximo ano e que tomará posse no dia 1º. de janeiro de 2009. Que assim que assumir a administração que se faça uma urna democrática para que nela sejam colocados todos os tipos de mensagens, cartas, jornais, revistas e livros retratando os verdadeiros acontecimentos ocorridos por ocasião do Centenário. Só através de uma urna democráticas as gerações de 2057 ficarão sabendo o que ocorreu em 2007. Por exemplo: que o prefeito Pedro Sahium foi o primeiro prefeito da história de Anápolis a ser cassado pela Justiça. O livro Lambança II certamente estará lá.

FONTE: O ANÁPOLIS.www.oanapolis.com.br

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 5:03 PM



Quinta-feira, Agosto 02, 2007

CÁLIGULA

Malcom Mcdowell capitaneando o elenco, produção a cargo do genérico de Hugh Hefner e dono da Penthouse, Bob Guccione, roteiro do aclamado Gore Vidal e direção nas mãos do maluco tarado italiano Tinto Brass. Produção rodada na Europa com gastos estratosféricos. O resultado tinha tudo pra ser um sucesso arrebatador, mas aconteceu justamente o contrário. O filme foi um fiasco comercial. Às favas com esse detalhe; o que importa é que estamos diante de um clássico explotation, recheado de artistas consagrados em situações constrangedoras. O que é aquela cena com Peter O’Toole? Sem comentários. O caso é que a despeito das frustrações de uma produção que não deu o retorno esperado, estamos diante de um filme ousado, divertido e interessante. Sinceramente, merecia melhor sorte.
Como todos sabemos, Calígula conta a estória de um dos mais ensandecidos imperadores romanos. Ele armou para chegar ao poder e fez de tudo para se manter lá, abafando com veemência qualquer tentativa de golpe. Até aí, tudo normal. O lance é que o cara era um hedonista egocêntrico capaz das mais bizarras excentricidades. Algumas mostradas no filme: apaixonado pela própria irmã, dormiu ao lado de um cavalo, tirou a virgindade de uma noiva e sodomizou o noivo na noite de núpcias do casal, ridicularizava constantemente os soldados do seu exército, promoveu uma orgia com as mulheres dos senadores e ao se fazer passar por um plebeu acabou preso e currado, e por aí vai. Um cardápio realmente sugestivo.
Malcom Mcdowell dá um show ao retratar com escárnio a loucura de uma figura tão poderosa. Discuto com um amigo que este é o melhor papel da carreira do ator inglês, inclusive melhor que o badalado Alex de Laranja Mecânica. A interpretação definitiva de Mcdowell. Ele é (ou era) maior que o próprio filme. O que não acontece sob a batuta de Kubrick. A despeito do talento do elenco, a maior polêmica de Calígula gira em torno das intervenções de Guccione. Disseram que ele usou a produção para mostrar as generosas curvas das modelos de sua revista e que inseriu cenas de sexo na hora da edição. Muito barulho por pouca coisa.
Outros fatos pitorescos contribuíram para a fama de maldita da produção. Gore Vidal, por exemplo, escreveu o roteiro, mas hoje renega o filme. Ele afirma que destruíram o que havia escrito e toda aquela conversa mole. Tô nem aí para Vidal, mas me incomoda o fato de Tinto Brass não ter ficado à vontade para comandar a produção. O filme teve custos muito altos e queriam apenas alguém que não complicasse. Vale lembrar que Wolfgang Petersen não era famoso na época! Desperdiçaram a chance de ver nosso querido italiano destilar seu talento fetichista. Sacanearam com Brass, e por isso confesso que é impossível não rir da pretensão canhestra da reconstituição de época. Lembra aqueles filmes sobre a vida de Jesus Cristo que passam na TV aberta durante a semana santa? Mesma coisa. Apesar de tantos erros, Calígula tem fortes momentos de violência (a máquina de arrancar cabeças é um delírio interessante) e várias cenas de nudez e sexo. Não deu certo, mas os fãs do explotation agradecem.
Ponto Alto: A interpretação irretocável de Helen Mirren como Caesonia. Pois é, a rainha Elisabeth, com toda a sua carga shakespeariana de teatro inglês, emprestou seu irrefutável talento dramático à Calígula.

Ponto Baixo: Tudo bem Guccione dirigir cenas de sexo, mas uma cena lésbica é tão gratuita e fora do contexto que chega a ser patético. Ridículo, para dizer o mínimo.

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:08 AM




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