FILOSOFIA BARATA

....sem essa, são só idéias jogadas que formam uma linha de raciocínio.



Terça-feira, Novembro 27, 2007



"WHAT PORRA IS THIS?" - FALCÃO (NC Music)

Você soube que o humorista e cantor cearense Falcão lançou disco novo? Não? Se não soube, nem esquente a cabeça. Quase ninguém que não faça parte do fâ-clube do cantor deve ter sabido mesmo - logo ele, que chegou a ter até anúncio de página inteira em jornais cariocas quando saiu o relançamento em CD, pela BMG, de seu primeiro disco solo, Bonito, lindo e joiado, lançado originalmente à própria custa (antes da BMG, a Continental chegou a bancar uma reedição, até com poucas cópias em CD).

Pois é. What porra is this, mesmo nome de um CD-ROM que o cearense chegou a lançar faz uns dez anos, é uma boa volta ao passado. Após alguns álbuns caidaços, o cantor (ou "cantor", como querem alguns) foi para o pequeno selo NC music e lançou um disco que tem uma característica fundamental para um CD lançado por um humorista: é engraçado. Engraçado, mas não de fazer ninguém rolar de rir: é irônico, como são aquelas boas piadas que você escuta e só ri meia hora depois. E, vá lá, tem um som bem legal, brega-rock bem gravado, com guitarras sacadas de Peter Frampton e Eric Clapton e até arranjos numa mescla de The Police e Lulu Santos fase "Último romântico" - em "Amanha será tomorow", um ajuntamento de frases escrotas. Já o rock´n roll "Fome zero-a-zero" é a melhor crítica que o governo Lula poderia ter recebido, valendo mais de mil discursos - "No Brasil nem tudo está perdido/muita coisa ainda há para se perder/(...) para sair o zero-a-zero contra a fome/encher o bucho é nosso melhor projeto".

Daí para diante, duas coisas são perceptíveis. A primeira: Falcão, assim como Caetano Veloso em Cê, tentou fazer um disco de rock - com boas guitarras, gravação bacana, teclados bregas que não ferem o ouvido e letras cáusticas (confira "Doa a quem doar"). A segunda: o mensalão e a sacanagens de Brasília preenchem o disco todo e ganham sátiras engraçadíssimas (caso da havaiana "Ordem e progresso", dos versos: "se Satanás morasse em Brasília/seria com certeza aprendiz"). Mais: se nos primeiros discos ele era o cara que mais conseguia satirizar o comportamento besta de boa parte dos cânones emepebísticos, What porra is this? volta a isso com força total, em faixas como o reggae "Desculpe ter-lhe visto", "Alguma coisa acontece no meu bucho" (a letra é um discurso sobre fome que valeria a pena ser enviado num iPod para o Palácio do Planalto), "A sociedade não pode viver sem as pessoas" (só esse título já vale a música). Já "Doze perguntas que podem cair na prova" é o lado Tom Zé-satírico-brega de Falcão. E ainda há espaço para uma homenagem ao soulman nordestino Paulo Diniz, com a regravação de "Severina Cooper (It's not mole não)", sucesso seu dos anos 70.

Além de What Porra is This?, o fâ de Falcão pode se divertir também com a coletânea Maxximum, lançada pela Sony & BMG, trazendo 20 sucessos dos discos que o cantor deixou na multinacional - fase que vai do relançado Bonito... a Quanto pior, melhor, lançado numa fase em que ele chegou a ter um programa semanal na Rede Bandeirantes, Falcão na contramão. Tem de tudo lá: "Ai! minha mãe", "Isaltina", "A terra há de comer (Já que eu não comi)", "Black people car" (versão em inglês de mentira para "Fuscão preto"), "I'm not dog no" (idem para "Eu não sou cachorro não"), etc. Só não dá pra entender porque é que um conhecido site de vendas on-line resolveu oferecer esse CD em venda casada com o livro Jesus: o maior psicólogo que já existiu, de um sujeito chamado Mark Baker (!). Quanto a What porra is this?, não faço idéia de como você vai conseguir esse disco, já que nenhum site vende. Tente descobrir no site do cantor, www.sitedofalcao.com.br.

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 4:31 PM



Terça-feira, Novembro 20, 2007


REM
Após mais de duas décadas de discos praticamente perfeitos (os anos 80 de "Murmur", "Reckoning" e "Document" e os 90 de "Out of Time", "Automatic For The People" e "New Adventures In Hi-Fi"), e uma decaída em 2004 com seu primeiro álbum abaixo dos padrões de qualidade impostos pela própria banda ("Around The Sun"), o R.E.M. quebra um silêncio de três anos e lança seu primeiro registro ao vivo oficial (descontando dezenas de gravações lançadas em lados b de singles).

"Live in Dublin" compila 22 músicas (em CD/DVD) de diversos momentos da carreira de uma das principais bandas em atividade no mundo, privilegiando o material composto nos anos 2000. A rigor, o R.E.M. já devia ter lançado um álbum ao vivo faz tempo, principalmente quando ainda tinha o baterista Bill Berry na formação original. Esse fato não desmerece em nada "Live in Dublin", que honra a tradição de grandes shows do R.E.M. e só perde em comparação com um ou outro bootleg, como o que registra a antológica apresentação no Rock in Rio, em 2001, no Rio de Janeiro.

Os dois concertos realizados em fevereiro de 2005 na capital da República da Irlanda encerravam a perna européia da turnê do álbum "Around The Sun", e o grosso do repertório (seis canções) é centrado em canções do disco, que felizmente cresceram muito ao vivo (com destaque para "Electron Blue", apresentada por Michael Stipe como sua canção favorita do álbum, "Leaving New York" e "Final Straw"). Metade de "Live in Dublin" é de repertório pós anos 2000 como a forte "Bad Day" (da coletânea "The Best R.E.M – In Time"), a grandiosa "The Great Beyond" (da trilha do filme "Man On The Moon") e a poderosa "Walk Unafraid", do álbum "Up".

O clássico "Automatic For The People" cedeu três canções para o show ("Man On the Moon", "Everbody Hurts" e "Drive" em versões sublimes) enquanto o excelente "Monster" aparece com a barulhenta "I Took Your Name" (que abre o show) e "What's the Frequency, Kenneth?". O multiplatinado "Out Of Time" cedeu "Losing My Religion" enquanto o subestimado "New Adventures In Hi-Fi" comparece com "So Fast, So Numb". Dos anos 80, apenas quatro faixas: "Cuyahoga", "Orange Crush", "The One I Love" e "(Don't Go Back To) Rockville" (esta última cantada pelo baixista Mike Mills).

A impressão que fica é que faltaram muitos clássicos, não é mesmo? E realmente faltaram. Mas é isso que acontece quando uma banda tão perfeita quanto o R.E.M. grava um show após 27 anos de álbuns matadores. Não há como arranjar espaço para tudo, a não ser que o álbum seja triplo. Ou que a banda tivesse resgatado o show do Rock In Rio que, entre outros clássicos, contou com "Finest Worksong", "Fall on Me", "Stand", "So Central Rain (I’m Sorry)", "At My Most Beautiful" e "It’s The End Of The World As We Know It (And I Fell Fine)". Apesar dos pesares, "Live in Dublin" é um álbum ao vivo acima da média de uma banda acima da média. A torcida é que o álbum resulte numa turnê mundial, que passe pelo Brasil. Se isso acontecer, de um jeito de ir: você estará correndo o risco de presenciar um dos melhores shows de rock do mundo.

"Live", R.E.M. (Warner)
Preço em média (importado): R$ 70 (edição tripla CD duplo + DVD)
A Warner brasileira promete edição nacional para este mês


postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:18 AM



Segunda-feira, Novembro 19, 2007

TEM COISAS QUE EU NÃO AGUENTO.
POR EXEMPLO:

A CARA DO PREFEITO DE ANÁPOLIS-GO, PEDRO SAHIUM;
AS MÚSICAS DO SKANK;
DOMINGÃO DO FAUSTÃO;
FUTEBOL DE AREIA;
GRUPOS DE BLACK METAL;
GUITARRAS GIANNINI,
AMPLIFICADORES WATSON;
AQUELES FILMES DO CACHORRO BETHOVEN;

postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 1:22 PM




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