....sem essa, são só idéias jogadas que formam uma linha de raciocínio.
Quarta-feira, Junho 18, 2008
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:21 AM
Sabato, estóico e saudosista
É triste ler as reflexões de Ernesto Sabato sobre os nossos tempos em A resistência. Triste porque o volume curtinho (pouco mais de cem páginas), composto de cinco cartas e um epílogo, dá sinais de que a acuidade metafísica do escritor argentino, autor dos maravilhosos Sobre heróis e tumbas e O túnel, começa a caducar (ele nasceu em 1911). Sabato escreve sobre os homens hoje, desde as formas de se relacionar até os efeitos causados por televisão e internet, e compara-o com o homem de décadas atrás. O outrora angustiado e angustiante romancista, investigador dos lados mais sombrios da alma e classificado certa vez de Dostoiévski portenho, tornou-se um arremedo de estóico, um sub-Sêneca, um pastor que conclamou para si a responsabilidade de nos salvar. Nada errado no estoicismo; o próprio Sêneca é essencial para nos compreendermos no que temos de mais generoso. Sabato, entretanto, substancia seus argumentos com idéias ingênuas e saudosistas, dignas de redação de vestibulando.
Sua tese é a de que homem decaiu, sim. Virou um ser egoísta, pouco afeito à vida social e despreocupado com os outros. “Tragicamente, o homem está perdendo o diálogo com os demais e o reconhecimento do mundo que o rodeia”. A televisão apenas agrava a situação, roubando “a possibilidade de convivermos de forma humana”. Sabato também não vê com bons olhos os computadores: o monitor “logo será a janela por onde os homens sentirão a vida”. Já a globalização impõe às culturas “um padrão único para melhor se enquadrar no sistema mundial”. Para contrapor o cenário desolado, relembra sua infância, quando ia com a mãe buscar os ovos debaixo das galinhas. Eram dias em que as famílias eram mais unidas, os idosos respeitados. Ele começa as frases com “na minha época” (“expressões com certo ar arqueológico”, admite). Afirma que sabe que nem todas as pessoas eram valorosas, caso de Hitler e das ditaduras latino-americanas, mas a maioria era. Será que ele sabe? Será que a maioria era? Além de Hitler e dos militares latinos tivemos Stálin, Mao, Franco, Salazar, vários países massacrados no Leste Europeu. Fora os conflitos do Oriente Médio, a miséria africana. E mesmo uma democracia pode ser sanguinária – lembremos da ocupação norte-americana no Vietnã. E a crueldade que o homem pode atingir na vida pessoal? Os argumentos de que a sociedade era um conto de fadas há cinqüenta anos ainda enganam alguém?
Sabato, ao dividir o Bem e o Mal de maneira simplista, contradiz a sua própria obra. Juan Pablo Castel (de O túnel) e Alejandra Olmos (de Sobre heróis e tumbas) são fascinantes justamente porque neles o Bem e o Mal, o afeto e a insanidade, são indissociáveis entre si, impalpáveis. E não é que o escritor de hoje, imbuído de "esperança demencial", esteja errado. Seus conceitos estão corretos: precisamos mesmo de mais diálogo, mais paciência, mais tempo para sentar na porta de casa e passar um tempo livres do trabalho, sem pensar em nada. É verdade, a audiência é o “juiz supremo” dos programas de entretenimento. O problema é que seus pensamentos são incautos. Sabato reclama do absurdo de poucos ganharem muito e muitos ganharem pouco – ora, para constatar isso (ou que “a arte é um dom que repara a alma dos fracassos e desgostos”) não é preciso ser um grande pensador; ouvimos a frase em qualquer fila de banco. O homem é mais complexo do que um acordar bem humorado e fazer do mundo um lugar melhor apenas por sua vontade.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:18 AM
Profissão: escritor
Escritores registrados e com carteira assinada podem parecer um absurdo, produtos de uma atribulada trama de ficção científica, mas não estão muito longe de surgir às pencas Brasil afora. Está tramitando na Câmara um projeto de lei do deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) que prevê a regulamentação da profissão do escritor. O projeto, registrado com o número 4641/98, foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura da Câmara e, cerca de um mês atrás, rejeitado na Comissão de Trabalho, sob a alegação de que não existe uma profissão reconhecível de escritor. Agora deve ser encaminhado para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Li o texto de Pannunzio, que é bem curto (é possível fazer o download aqui), e pedi, por e-mail, a três escritores brasileiros importantes que o comentassem: Milton Hatoum (Órfãos do Eldorado, Companhia das Letras), Sérgio Rodrigues (As sementes de Flowerville, Objetiva) e Antonio Fernando Borges (Memorial de Buenos Aires, Companhia das Letras).
Sérgio Rodrigues diz que não sabe o que os “escritores de verdade” têm a ganhar com isso. “O que pseudo-escritores ganhariam, por outro lado, é bastante claro: ganhariam um crachá, um carimbo, um passaporte para privilégios, cargos, posições”, afirma. A lei de Pannunzio, além dos escritores de literatura propriamente dita, abarca aqueles que publicam regularmente artigos de natureza literária ou científica, além de tradutores de obras literárias ou científicas. E, mais polêmico, diz o projeto que é escritor quem "seja autor de trabalho literário ou científico, mesmo inédito, que haja merecido prêmio ou menção honrosa em concurso promovido de forma pública". Milton Hatoum não concorda com a abrangência da lei. “Há escritores e escritores. Nem todos os autores de livros são escritores. Livros de auto-ajuda nada têm a ver com literatura”. Irônico, Antonio Fernando Borges exemplifica: “Um estivador de cais e um halterofilista também vivem carregando seus ‘pesos’ e ninguém tentou rotulá-los e enfiá-los num mesmo saco”.
Não é de hoje que se discute a literatura como profissão propriamente dita, que se converteria em fonte de renda e uma aposentadoria futura. O mito da inspiração, da genialidade que brota intuitivamente, já entrou em decadência há bastante tempo. “Tenho certeza de que, para escrever num nível estético elevado, a menos que você seja o Rimbaud, é preciso mourejar mesmo, trabalhar feito um louco”, declara Rodrigues. Pois os três autores não se deixam levar pelo romantismo: defendem e ressaltam, sim, o trabalho necessário para criar um texto literário de qualidade; apenas discordam que ele precise ser registrado, tanto que todos têm ou tiveram trabalhos paralelos à escrita – Antonio tem dado cursos, Sérgio é jornalista e Milton foi professor universitário até não muito tempo atrás –, e todos buscam maneiras alternativas de viver da literatura (através de palestras, participando de debates etc). “Não me sinto um profissional da literatura”, diz Hatoum, “mesmo porque uma pessoa pode publicar apenas um livro e ser, de fato, um grande escritor. Só me dediquei inteiramente à literatura aos 48 anos de idade”. Para Sérgio, “alguns dos maiores entre nós são – e fazem questão de continuar sendo – amadores radicais”.
O projeto de lei prevê diversos deveres e direitos dos escritores, a maior parte deles básicos e óbvios, como o direito de proibir a republicação de textos ou “impedir a distribuição ou comercialização da sua obra” devido a “incidentes que lhe (...) prejudiquem o renome ou direito moral”. Há, entretanto, um artigo inusitado, que prevê a isenção de qualquer tributação a prêmios literários (e eles pagam cada vez melhor, vide o Portugal Telecom e o recente Prêmio São Paulo). O autor de As sementes de Flowerville e do blog Todoprosa vê nisso uma vantagem, “mas uma vantagem descabida, um privilégio injustificável”. Borges diz que o “controle social anda de mãos dadas, no Estado moderno, com a arrecadação progressiva e sufocante de impostos”.
Ainda quanto à essência governamental que possa existir no projeto, Rodrigues enxerga nele a “sanha reguladora e cartorial que é um traço marcante da cultura brasileira”, enquanto Borges reclama que “sob a capa do benefício social, o Estado vai cerceando as liberdades individuais”. Hatoum encerra a discussão: “não gosto de nenhum tipo de tutela”.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:17 AM
Terça-feira, Junho 17, 2008
O grupo Metallica anunciou através do site oficial o título do tão aguardado novo álbum. Durante alguns dias foi aparecendo no site uma imagem com algumas letras sem sentido, mas finalmente apareceu o título “Death Magnetic”.
Este será o décimo álbum de estúdio na discografia do grupo, incluindo o álbum de ‘covers’ “Garage Inc.”. Após as severas críticas dos fãs mais antigos em relação aos últimos três álbuns, “Load”, “Reload” e “St. Anger”, a banda pretende com o novo disco “voltar às raízes”, como já declarou o baterista Lars Ulrich.
“Death Magnetic” está previsto para chegar às lojas de todo o mundo em setembro, logo em seguida o grupo deve anunciar uma extensa turnê mundial.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 1:19 PM
Quarta-feira, Junho 11, 2008
Num mundo como esse como ser forte e sozinho?
“É preciso que se faça ouvir a voz dos vencidos da história”
Walter Benjamim
“Nós somos projetos e por isso precisamos de liberdade e de espaços abertos”
Heidegger
“Contra a intolerância dos ricos e a intransigência dos pobres a exuberância dos livres”.
“Eles me enxergam onde eu não estou, atiram onde eu não sou, e o tiro não me mata”.
Eugênio Bucci
No domingo de uma noite chuvosa, depois de uma sessão de cinema, após um ano de ausência volto a escrever aquilo a que dei o nome de Caleidoscópicas, Crônicas da Internet. Por que parei tanto tempo; como consegui estar em outro lugar e não aqui; onde me assaltaram outros movimentos; de quais entretenimentos precisei me incumbir. Não sei, só sei que enquanto as Crônicas de Narnia rolavam na tela do cinema, um outro enredo parecia desenrolar o meu pensamento de modo que, onde antes só havia um vazio, agora eu encontrava um lugar. “Preciso aprender a deixar a mente em repouso”, pensei, “informação demais pode levar a um esgotamento mental. Será essa a razão da enxaqueca monstruosa dos últimos dias”, eu me perguntava, já prevendo a resposta.
O que nos conecta? O que nos separa? A sensação de isolamento só persiste quando não nos permitimos ser tocados por alguém. Pelas palavras de alguém. Quando sentimos que nada, nem ninguém será capaz de dar conta, de entender o nosso ponto de vista. Quando nos sentimos isolados no nosso modo de entender o mundo. Mas aí acontece o inesperado. Alguém consegue furar a barreira de isolamento e nos tirar de nós mesmos; e consegue isso, porque tenta entender o que sentimos. Alguém que se propõe a sair de si mesmo e escutar o outro. Alguém que reconhece a dor e a razão do outro. Alguém principalmente que diz: “me machuca ver você assim. Quando você sofre, eu sofro também.” (It hurts me too - Bela canção de Bob Dylan, especialmente na gravação de Karen Dalton)
Se você tem alguém com quem partilhar a vida nesse nível de intimidade, mesmo que não seja da sua família, um amigo, ou amiga, com quem você pode se abrir e conversar, você tem tudo. Basta um só amigo, em apenas um bom encontro, ou um telefonema no fim da noite, pra mudar a sua energia e fazer a alquimia; pois o isolamento só sobrevive no isolamento. Quando saímos dele toda a sua força se esvai.
Um brinde à amizade. A cumplicidade da amizade. Ao efeito sadio das pequenas confissões. Vamos investir mais nos encontros. Ver menos tv. Trabalhar menos. Ser menos máquina. Mais humano. Mais coração. Menos ciência exata. Mais emoção. Mas não a emoção barata do sentimentalismo covarde; das chantagens emocionais; da vitimização; do amor servil. É preciso saber cultivar e fazer crescer as verdadeiras amizades. São elas que dão sentido à vida, que só vale a pena ser vivida se puder ser compartilhada.
Eu proponho então que façamos um brinde às boas amizades. Vamos nos embebedar de sentido, nos entorpecer de conteúdo; gerar textos que nos façam tecer uma rede de resistência; uma rede de proteção à frieza e indiferença estudada de um sistema que todos os dias, invade, isola, exclui, corrompe e destrói os nossos sonhos. Só com a nossa capacidade de imaginar uma realidade diferente é que temos a chance de mudar o que esta aí. Para isso, basta apenas uma conversa entre dois amigos. Dois amigos são uma pequena célula de resistência. Uma pequena célula revolucionária. Quando foi mesmo que deixamos de acreditar nisso? Por que é que no auge da ditadura os regimes autoritários impediam as pessoas de se reunirem? Pois agora, não há nada aparentemente visível que nos impeça de estarmos juntos, de falarmos uns com os outros. No entanto, isso nunca foi tão difícil. Você já se perguntou por quê ? Por que vivemos num sistema em que nos comportamos como anêmonas, independentes fisicamente, porém igualmente descerebrados, despossuidos do nosso corpo e do nosso desejo, a serviço de um mundo maquinico que se reproduz através de nós? Parece ficção científica e é. O futuro é agora. Você é vivente ou humano?
Só tem direito de se nomear humano aquele quem tem a coragem de ser livre. Isso me lembra o super-homem nietzscheniano, e um pouco também, o andróide de Blade Runner, de Ridley Scott. A propósito, Nietzsche lutou a vida toda contra dor de cabeça, que ele dizia ser uma espécie de dor de parto, o conflito que se dava dentro dele entre as forças ativas e passivas. Zaratustra nasceu de dores insuportáveis.
Pensando nele, chego a Foucault e ao biopoder. Esse poder que se reproduziu e se instalou em todas as instâncias das nossas vidas e dos nossos corpos. E me dou conta que é contra esse inimigo oculto dentro de mim que eu luto; contra o que há de servil, passivo e omisso dentro de mim. O que eu ainda não sabia é que essa batalha não pode ser ganha sozinha. Para enfrentá-la é preciso amigos, aliados, companheiros; e não, analgésicos, drogas e gadgets. Contra a servidão voluntária é preciso criar uma nova configuração do humano. Mas isso dá trabalho. É preciso ser criativo. E ser criativo hoje é persistir no esforço de superar a intolerância; no esforço da comunicação; no esforço do encontro e da amizade; pois “a intolerância é a tragédia do não diálogo”. (Eugencio Bucci no Ciclo de conferências Vida Vício e Virtude - ABL RJ.)
Talvez um pouco por isso eu venha procurando na filosofia, mais do que em qualquer outra disciplina, o diálogo que não encontro em outras instâncias da vida, inclusive na expressão artística, um campo onde o discurso passou a reproduzir a lógica de um sistema impregnado de formas viciosas e repetitivas.
Por isso, temos o dever de desconfiar. Unirmos-nos pra desconfiar. Unirmos-nos pra conspirar contra aqueles que reproduzem o discurso chapado da imagem; as narrativas e os gestos que representam à violência e tiranizam o imaginário. Como disse Eugenio Bucci: “num mundo onde reinam as imagens e o nosso conhecimento é inadequado, tudo tem que ser unívoco; bidimensional; certo; raso; fácil; direto; sem contradições; é da natureza da imagem ser chapada; por isso tudo tem que reproduzir a lógica binária das máquinas. Ser anjo ou demônio; bem ou mal; tudo precisa dizer o que é e o que está fora”.
Num mundo como esse como ser forte e sozinho?
Como nos lembrou Marcelo Coelho, em uma palestra sobre Amizade, ou teria sido Bucci, na conferencia sobre Intolerância, não importa: “a luz que se acende nos encontros é a única saída possível, porque o entendimento não é algo que se constrói sozinho, mas no confronto e no diálogo com o outro e no embate das diferenças. A razão é produto da interlocução.” É ela que nos faz verdadeiramente humanos e não anêmonas.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:31 AM
Terça-feira, Junho 10, 2008
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Entrevista com Craig O'Hara
por Renato Roschel
Email
19/07/2005
A estreante editora paulista Radical Livros lançou o que se pode chamar de obra obrigatória para aqueles que têm algum interesse na cena punk, seja ela paulista, londrina, norte-americana ou de qualquer outro lugar. O livro A Filosofia do Punk - Mais do que Barulho, escrito por Craig O'Hara, um punk dos EUA, foi lançado em 1992 naquele país, e chega ao Brasil com uma edição cuidadosa e bem trabalhada, pois traz índice remissivo, glossário, bibliografia e discografia, que não existem na edição original.
O S&Y entrevistou Craig O'Hara, autor do livro. E o que ele nos conta é que o movimento punk, nos dias de hoje, vai muito além de uma mera cena musical. Para O'Hara, a atual cena punk é um painel abrangente, cheio de grupos idiossincráticos, cada qual com sua forma de organização, suas crenças e convicções.
Você acredita que o movimento punk seja possível em uma sociedade capitalista?
Se isso não fosse possível nós não estaríamos aqui conversando. O movimento punk em um país capitalista como os EUA tem historicamente atuado de forma contrária a este sistema. Nós fazemos coisas que estão fora das práticas do mercado capitalista. Primeiramente, porque o punk é um movimento DIY (Dot it Yourself, "Faça Você Mesmo"), construído a partir de um pensamento crítico produzido por músicos, artistas, pessoas que se encaixam na ordem estabelecida, malucos e fãs que entendem a "cultura" capitalista como algo feito sempre a partir de um entediante e falso denominador comum. O capitalismo pode colocar um rosto alegre em um pedaço de merda e vendê-lo, porém a merda continuará sendo merda e continuará fedendo. Depois que a MTV tornou a música punk mais acessível, com bandas vendendo milhares de cds, o verdadeiro punk ficou cada vez mais underground. O capitalismo quer vender tudo, colocar um preço, um valor em tudo, até na vida humana. O punk é contra a mercantilização da vida e das criações humanas. Uma recente matéria de jornal informou que as famílias dos stockbrokers [corretores de ações] mortos no 11 de setembro (os "pequenos Eichmanns" da economia norte-americana) receberam milhões de dólares de indenização enquanto as famílias dos soldados norte-americanos mortos no Iraque recebem apenas US$ 12 mil.
Você poderia explicar o que é a filosofia do "Faça Você Mesmo" (DIY philosophy)"?
O "Faça Você Mesmo" existe por duas razões: em primeiro lugar porque ninguém vai fazê-lo por você. Quando o punk começou a se desenvolver nos EUA, e também em São Paulo/ABC, com bandas como Olho Seco, Cólera, Ratos de Porão etc, não havia literalmente nenhuma outra saída para quem queria fazer música punk, divulgar seus Lps, tocar em casas de espetáculo senão fosse feito por conta própria. Não havia como fazer o jornalismo cultural da época dar a devida atenção à cena punk. Por isso tudo teve de ser feito com fazines e shows organizados e custeados pelos próprios punks, na rua se fosse preciso. Em segundo lugar, a postura do "Faça Você Mesmo" dá força ao movimento, pois quando você tira a bunda da cadeira e começa a fazer as coisas por sua própria conta, você percebe que não há nenhuma "fórmula mágica" para fazer o que as gravadoras, as revistas, os estilistas e os músicos fazem. Basta criar coragem e fazê-lo. Obviamente, esta postura acabou nos empurrando para além do movimento punk. Há caras aqui nos EUA que fazem até a sua própria cerveja; que participam de campanhas como Food Not Bombs (Comida não Bombas); que contribuem, como leitores ou mesmo produtores, para uma mídia alternativa; que lutam por uma educação que esteja além desta que as instituições de ensino oferecem, aprendendo assim coisas sobre saúde da mulher, movimento dos sem-teto, problemas com as drogas, ou seja, todos os tipos de problemas que as instituições oficiais de ensino e a mídia ignoram ou não tratam com profundidade.
E o que são os "grass roots"e como eles ocorrem?
Nós somos os "grass roots" e nossa força está nos enfrentamentos que temos diariamente com os aparatos do Estado. Nós, os "grass roots", somos a maioria e estamos em todos os lugares. Lutamos contra a força desta mais pequena entre as pequenas minorias do mundo: a minoria rica que serve ao capitalismo e que tem em suas mãos o poder de destruir uma boa parte do planeta. Eles precisam de nós, mas nós não precisamos deles e, na verdade, nos viveríamos muito bem sem eles. Mudanças e movimentos ocorrem e estão ocorrendo todos os dias em todos os níveis e elas são nossa única saída. Elas não precisam de políticos profissionais para acontecer, elas precisam de pessoas dispostas a discutir os problemas em conjunto e trabalhar em conjunto para mudar a sociedade para melhor. Porém, as mudanças propostas pelos "grass roots" são sempre as mais difíceis porque os governos não querem que o povo seja seu próprio condutor, mas é só com os "grass roots" que a verdadeira mudança pode ocorrer. É como disse Joey Shithead da banda DOA: "debate menos ação igual a zero".
Os Sex Pistols diziam: "não há futuro". Na sua opinião, há um futuro?
Claro que há um futuro! Sempre haverá esperança e a necessidade não apenas para um "futuro", mas para um futuro melhor. Porém, o futuro (e o presente) que nos oferecem são determinados por regras, por militares, por policiais (homens ou mulheres) e por uma espécie de cultura da passividade. Contudo, isso não é o suficiente para fazer com que os otimistas desistam, encolham ou aceitem tudo passivamente, como se estivessem se auto-sedando. O futuro pode ser diferente. E isso que propõem eventos como o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS). Manifestações de desempregados, recusa a produtos geneticamente alterados, esforços para criar uma mídia alternativa e produzir entretenimento e estruturas sociais que estimulem a criatividade e a cooperação entre as pessoas.
Por que um movimento que, segundo seu livro, está ligado à luta pelos direitos das mulheres, dos gays e é contrário a qualquer tipo de racismo é tido por boa parte da mídia como racista, violento e homofóbico? O que causa esta confusão? O movimento punk é violento?
Eu não penso o punk como um movimento violento. Talvez o visual diferente, a música rápida e alta, a raiva e o sarcasmo das letras e a honestidade nua e crua do punk sejam coisas com as quais a mídia do ‘politicamente correto‘ tenha dificuldade em lidar. O punk nunca foi um lugar para pessoas bem comportadas e de moral puritana. Se você pega uma postura radicalmente contrária ao governo, aos racistas, aos policiais, às autoridades em geral, soma isso à ácida crítica que os punks fazem à maçante cultura pop e coloca ainda a volúpia da mídia em retratar o movimento como algo raivoso e assustador, pode ser que isso cause a errada impressão de que nós sejamos violentos. Para aqueles que, de certa forma, defendem a cultura de massa e o status quo que nos empurram goela abaixo, os punks, com a sua honestidade e a sua rejeição às autoridades, representam certamente uma ameaça.
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"A Filosofia do Punk - Mais do que Barulho" - Craig O'Hara
por Renato Roschel
Email
19/07/2005
O punk surgiu pra valer para o mundo com o seguinte refrão: "Deus salve a rainha e seu regime fascista". Este foi o primeiro sucesso dos Sex Pistols, em 1977, quando o compacto Anarchy in the UK, disco de estréia do grupo, levou ao topo da parada a música God Save de Queen.
Não satisfeitos com o êxito da música, os Pistols decidiram prestar mais uma "homenagem" à rainha. No dia 25 de junho do mesmo ano, data em que a grande dama da Inglaterra participava de um desfile em comemoração aos seus 25 anos no poder, eles alugaram um barco e cantaram sua música para Elizabeth 2ª. Acabaram presos. Assim surgiu o pensamento lateral e a quebra de regras.
De um fato como esse surge a inexorável pergunta: o que realmente querem estes punks?
Se quer saber a resposta ou se você se interessa pela música e pelo movimento punk e quer entendê-los melhor, uma boa pedida é o livro A Filosofia do Punk - Mais do que Barulho, recém-lançado pela estreante editora Radical Livros (R$ 34, em média). Seu autor é Craig O'Hara, um punk norte-americano interessado em colocar um pouco de ordem na história de um movimento que veio para bagunçar o coreto.
Na visão de O’Hara, o movimento punk é, atualmente, bem mais do que as provocações à rainha feitas pelos Sex Pistols. Para ele, a postura punk, hoje, vai mais longe, atinge mais pessoas e é tão multifacetada e paradoxal que foge à idéia de que apenas os músicos e fãs desse estilo de música seriam seus representantes.
Atualmente, segundo ele, a postura punk está diluída na sociedade e nos movimentos civis, os quais ele chama de 'grass roots' - expressão que significa algo como 'raiz de capim'. A música punk, para O’Hara, é a trilha sonora de algo bem maior que um corte de cabelo moicano. Ela canta o ideário desses contumazes manifestantes antiglobalização, que enfrentam a polícia, quebram vidraças e empunham bandeiras.
O livro faz uma panorâmica sobre as idéias e os interesses, muita vez complexos e contraditórios, dessa turma. Para se ter uma noção disso, a certa altura do livro, O’Hara diz entender como correta a violência contra qualquer patrimônio capitalista. Para ele e para boa parte dos punks, segundo o livro, quebrar as vidraças do Banco Mundial é algo bacana, pois toda ação contra o patrimônio capitalista é lícita. Por outro lado, ele também defende teses pacifistas, mas um certo pacifismo que não foge à luta, um pacifismo pró-ativo que, se for preciso, enfrenta a polícia.
Exatamente por isso o livro de O’Hara é esclarecedor. Ele mostra o quanto são paradoxais a cena e as idéias daqueles punks que sempre fazem parte das recorrentes imagens de manifestações antiglobalização que aparecem nos noticiários. Seu livro permite entender o que pensam tanto os punks da "periferia" (Brasil) quanto os punks do "centro" (EUA) e saber onde e porquê eles são iguais ou diferentes.
Em São Paulo, o punk explodiu nos anos 80. Bandas como Cólera, Olho Seco, M-19, Fogo Cruzado, Ratos de Porão, Lixomania e Inocentes tocavam não somente no Sesc Pompéia, mas também nas periferias.
Isso fez com que o movimento no Brasil tivesse uma cara um tanto quanto esquizofrênica, pois influenciou a classe média, da qual saíram bandas que se pretendiam alternativas, mas que acabaram de braço dado com a indústria do entretenimento. Desse bloco surgiram bandas como: Aborto Elétrico, da qual saíram o Legião Urbana e o Capital Inicial, os Titãs, a Plebe Rude e o Ira!.
Do outro lado da moeda bandas como Cólera, Olho Seco, M-19, Fogo Cruzado, Ratos de Porão, Lixomania e Inocentes mantiveram-se mais próximos do punk, mesmo depois de conseguir algum sucesso como no caso dos Inocentes e Ratos de Porão. Estas bandas, por se apresentarem tanto para a classe média quanto para a periferia, acabaram gerando um fenômeno muito interessante.
A influência desse pessoal periferia, mais precisamente nos shows que eles faziam em bairros como Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, acabou, de certa forma, reverberando na cabeça dos jovens pobres de São Paulo. Suas letras altamente críticas acabaram entrando no imaginário dos garotos que, tempos depois, seriam os rappers. Não é por acaso que o disco Pânico em SP, de 1986, dos Inocentes, teve a sua idéia mais intensificada no refrão da letra Pânico na Zona Sul, lançada em 1988, na coletânea de rap Consciência Black (primeiro disco do selo Zimbabwe), pelos Racionais. Nessa música os Racionais reproduzem uma visão punk e nada amenizada de como era dura a vida do jovem negro e pobre que mora na periferia paulistana, perdido entre o crime e a injustiça social. Eles juntaram as letras punks com a batida do hip hop e tempos depois, mudaram a música pop brasileira com suas letras de denúncia e sua postura agressiva. Só isto já basta para demonstrar o quanto o punk foi importante para a cena da música pop feita hoje no Brasil.
Por isso é interessante conhecer melhor o que pensam os punks hoje e a obra de O’Hara espreme e ordena as idéias que habitam o pensamento desse pessoal. O resultado não são apenas definições de princípios, mas um retrato bem completo do que passa pela cabeça daqueles moicanos ou não que participam de eventos como o Fórum Social Mundial. Tudo isso permeado pela percepção da impossibilidade de pensar o punk como um movimento unificado e coeso.
O punk de O’Hara, assim como o punk aqui no Brasil, é uma grande e interessante salada servida com muita música, muitas bandas, muitos fanzines e — por que não? — muita confusão.
Leia também
Punk - Anarquia Planetária e a Cena Brasileira, de Silvio Essinger, por Marcelo Costa
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:43 AM
Terça-feira, Junho 03, 2008
Sete motivos para rir de Chris Martin
O Coldplay se leva a sério demais. Chris Martin se leva a sério demais. Os fãs levam o Coldplay e Chris Martin a sério demais. Onde está a alegria? Em entrevista coletiva para jornalistas em São Paulo, na tarde da quarta-feira (28/02/07), Chris bancou o enfezadinho, respondeu ironicamente algumas perguntas, desrespeitou jornalistas e saiu antes que o relógio completasse os 20 minutos prometidos pela gravadora. O estopim da atitude bad boy fake foram perguntas (nem um pouco desrespeitosas) com relação a sua esposa, Gwyneth Paltrow, e sobre os shows pequenos (isso sim um desrespeito deles para com os fãs) que a banda praticou na América Latina.
Chris Martin é um mala, e eu sempre desconfiei de pessoas que reclamam da vida tendo uma fortuna engordando sua conta no banco. Dinheiro não traz felicidade, nem manda comprar, mas Chris ganhou todo esse dinheiro fazendo hipoteticamente o que gosta. Você não seria feliz? O quinhão que ele precisa dar em troca é o preço de ser uma celebridade pop. Se não aguenta, por que veio? Se não queria vender milhões de discos, ficar rico, casar com uma atriz de Hollywood e viajar pelo mundo tocando suas próprias canções, por que não ficou atrás de uma mesa de escritório lidando com burocracia? O mundo seria um lugar menos chato e piegas, com certeza.
Isso tudo acontece porque Chris Martin é o exemplo perfeito do coxinha: um cara mimado, que foi criado pela avó dentro de um apartamento, que comia maçã raspadinha na colher, não queria largar a chupeta, e se lambuzava com aquelas papinhas gosmentas. Nunca jogou futebol na rua. Subir em árvore e brigar, então, nem pensar. Ou seja, Chris Martin faz parte daquele grupo de moleques que devia estar trabalhando em escritório, serviços públicos ou fazendo qualquer outra coisa que não arte. Quando optam por fazer arte, rapazes assim montam... bandas coxinhas. E não é que uma banda coxinha faça álbuns ruins. "Parachutes", o primeiro disco do Coldplay, é bem bom. E "God Put A Smile Upon Your Face" é um bom single. Mas seus fãs os tratam com uma reverência desmedida e excessiva. E isso acaba contagiando Chris Martin, um mala chorão mimado e coxinha que só conhece o lado amarelo da vida.
Chris e seu Coldplay são motivo de piada. O bom de tudo isso é que ele nos faz rir. Este texto, de bem com a vida – mas sem muito dinheiro no banco, sem amigos importantes e com muita inveja do vocalista – separa sete momentos da vida do marido de Gwyneth Paltrow para provar o quanto ele é coxinha. E ainda responde a pergunta que ele se recusou a responder na coletiva:
Pergunta: "Chris Martin, quais seus três filmes preferidos da Gwyneth Paltrow?"
Resposta: "Aquele em que ela dorme com o Jake Gyllenhaal, aquele outro em que o Jack Black pega ela, e aquele em que o Ethan Hawke bebe água na mesma fonte que ela."
Ok, ok, "Os Excêntricos Tenenbaums" é o meu preferido :)
Sete motivos infames para rir de Chris Martin
01) Quem, em sã consciência, coloca o nome de sua própria filha de Maçã? Imagine a lista de chamada na primeira série, e lembre-se o quanto crianças são cruéis:
Janaina (presente), Juliana (presente), Kátia (presente), Liliane (presente), Maçã (????????)
Existem piores. Mas... Maçã????? Tudo bem. Ele pode ter pensando numa brincadeira com Eva e Adão, e já está liberando a filha para ser mordida. Poderia ser maldade com a pequetita vindo de qualquer outra pessoa. Vindo dele é bundamolice mesmo.
02) Em 2003, Chris Martin perseguiu um fotógrafo que o clicou saindo de uma praia na Austrália. Foi até o carro do fotógrafo, quebrou o vidro com uma pedra e ainda tentou esvaziar os pneus (muito máscula essa atitude). Resultado: o fotógrafo deu queixa na polícia, e depois da banda ter saído do país, Chris Martin teve que voltar para comparecer perante um juiz para ouvir um sermãozinho básico. Algo que só acontece com rapazes coxinha.
Chris devia ter aprendido com Patti Smith ou Bono que não se bate em fotógrafo. O lance é ficar amigo deles. Depois eles publicam livros com imagens suas, além de trabalharem a seu favor e até fazerem clipes para a sua banda. Se ele for paparazzi? Faça como Pete Doherty e jogue champagne nele. É mais classudo. Se for pra bater, faça como Sid Vicious. Seja homem.
Ps. Sid Vicious bateu num jornalista, mas tudo bem...
03) Falando em chorão, a respeitada revista Blender (apontada por muitos como sendo a melhor publicação da atualidade no quesito cultura pop) fez uma listona em julho de 2006 com os 25 nomes mais chorões da música pop. Chris Martin ficou com o 9º lugar, sendo que à frente dele apareceram nomes como Kenny G (6º) e James Taylor (1º). Justificativa da revista: "Não é porque ele foi à faculdade. Não é porque ele é abstémio ou porque perdeu a virgindade aos 22 (ok, é um pouco por isso). O que faz de Chris Martin um chorão são suas canções carentes e apologéticas: ele implora, ele rasteja, ele está perdido, ele está com medo, ele pede desculpas e sente a sua falta. Tem mais: ele toca um instrumento de menina". É a Blender dizendo, não sou eu. Porque pra mim ele não passa de um coxinha. :o)
04) Chris Martin faz 30 dia 02 de março. E ele perdeu a virgindade aos 22 (como bem lembrou a Blender), segundo depoimento do próprio para a revista Rolling Stone norte-americana, em 2004. Ele alegou como motivo o fato de "ser muito inocente" e "que não sabia nada sobre o assunto". Coitado do rapaz: a faculdade na Inglaterra deve ser diferente daqui e não existe aquela pegação toda, e o que mais pode fazer um garoto virgem em Devon além de aprender a tocar piano? No condado vizinho, Dorset, nasceu e cresceu Polly Jean Harvey. Precisa falar mais alguma coisa? Precisa: chorão!
05) Mesmo depois de ter perdido a virgindade e ter casado com uma atriz de Hollywood, ele continua o mesmo jeca inocente que saiu de Devon, e acredita piamente nas coisas que fala. Na época do lançamento de "X&Y", falou pra meio mundo que a banda estava reinventando a roda em seu novo disco. Tremendo engodo para justificar um álbum inferior aos dois predecessores, carente de qualidade. Agora, às vésperas de lançar o quarto álbum, disse na entrevista para jornalistas brasileiros: "O próximo disco será a respeito de atingir um outro nível". Esqueceu de mencionar que nível é esse. Abaixo da sarjeta? Pior: ele desconhece totalmente a cultura pop. Olha outra frase da entrevista: "Nós temos só três discos, e, veja, quais são as bandas que fizeram algo revolucionário neste ponto? O Nirvana e algumas outras mais, talvez?" Talvez? Talvez???????????? A exceção é você continuar criativo após o quarto disco. A regra é lançar um disco que mude convenções logo de cara. Chris Martin, pára de chorar e vá ler.
06) No ano passado, ele se recusou a trabalhar com Justin Timberlake alegando que não canta nada que não seja do Coldplay (o disco solo de Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen, era do Coldplay?). Você pode falar muita coisa sobre Justin Timberlake, menos que ele seja chorão ou coxinha. Enquanto Chris casou com uma atriz insossa – Gwyneth Paltrow tem bons momentos no cinema, mas é sem sal que só ela –, Justin namorou e apavorou Britney Spears (a carequinha, logo depois que terminou o casamento, foi vista chorando ao sair de um clube em que tinha encontrado Justin), rasgou o corpete de Janet Jackson revelando um dos seios da cantora em pleno intervalo do Super Bown norte-americano (a maior audiência do ano nos EUA), desfilou meses e meses ao lado de Cameron Diaz (muito mais legal que a Gwyneth, convenhamos), e dias atrás foi visto com Scarlett Johansson, Jessica Biel e Alissa Milano (não ao mesmo tempo – meu Deus – e não necessariamente nessa ordem). Justin é um cara legal. Chris Martin é um mala.
07) As revistas brasileiras Bizz e Rolling Stone destacaram a passagem do Coldplay pela América do Sul na edição de fevereiro de 2007. A melhor definição para o som da banda partiu da revista Bizz, em uma excelente sacada do jornalsta Ricardo Schott. Ele entrevistou Guilherme Arantes, "o pai brasileiro do Coldplay". Guilherme Arantes é bem legal, eu gosto, e ser apontado como pai do Coldplay coloca as coisas em seus devidos lugares. O Coldplay é para a música pop mundial o que Guilherme Arantes é para o pop brasileiro. Diz o músico: "Gosto muito do estilo do Coldplay. Já chorei enquanto escutava. (...) Realmente me identifico muito com o som deles." Ou seja: o Coldplay não está fazendo nada de novo, não está trazendo nenhuma novidade ao mundo da música, não está inventando a roda nem atingindo um outro nível, como eles mesmo acreditam. O Coldplay está fazendo hoje o que Guilherme Arantes faz desde 1977. Pense nisso. E ria.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 11:43 AM
Segunda-feira, Junho 02, 2008
Não é nenhuma atriz de Cinema. É apenas MARIA RITA.
postado por: <$HENRYQUE DYAS$> 8:54 AM